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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Scarface

Editorial JP, 21 de maio

Se o Maranhão fosse um país primitivo, em torno dele se contariam muitas lendas. Saibam todos, embora, que trataremos aqui de uma história real. A história de como a consciência política desse Estado foi construída sobre os escombros da moralidade pública. Parece, entanto, lenda que a maior investigação da história policial do Brasil, essa que atinge o escândalo de corrupção da Petrobrás, alcance um senador da República e ex-ministro maranhense e uma mulher que por nada menos de quatro vezes governou o Maranhão. De um modo às vezes secreto, ocultando convênios, com filtros no Portal da Transparência, usando golpes judiciais e abuso de poder econômico, mas, para azar do povo, governou.
Todos os convocados da delação premiada – Paulo Roberto Costa, Rafael Ângulo e Alberto Youssef – acusam a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Edison Lobão de serem beneficiários de uma Caixa de Propinas montada com recursos da Petrobrás, mesmo que, desafiando a unanimidade das denúncias, os acusados jurem inocência e seus advogados perjurem que será muito fácil trancar os processos que se lhes abatem sobre as cabeças. Para fechar o cerco, o chamado “Chefe do Clube do Bilhão”, Ricardo Pessoa, reforça todas as acusações, inclusive reafirmando que pagou R$ 6 milhões em propina à governadora Roseana Sarney e seu secretário João Abreu. E outro tanto de propinas a Edison Lobão pela garantia do contrato de Angra III.
Lobão surge, em seguida, como sócio da Diamond Moutain, uma holding sediada num paraíso fiscal, as Ilhas Cayman, voltada no Brasil para a captação de recursos de fundos de pensão de estatais, (segundo a imprensa nacional, pessoas ligadas a Jose Sarney e Lobão gerenciaram o Fundo Postalis, dos Correios, deixando rombos bilionários) fornecedores da Petrobrás e empresas que recebem recursos de bancos públicos. Um desses bancos é o BNDES onde, conforme o Ministério Público Federal, que teria pedido a prisão de mais de 60 pessoas, localiza-se outro lendário esquema de corrupção.
Essa lenda de gente “magra” e rica, um jornalista que cumpria pautas em jornais de Brasília e um filho de desembargador do mais paupérrimo estado da Federação, chega a seu desfecho nos gabinetes da polícia, depois de um longo Scarface (A força do poder). Poder exercido sob o cutelo da tirania garantida pela ditadura militar e, em seguida, sob  naufrágio psicológico da ambição desmedida que hoje arrasta essas duas famílias poderosas aos níveis mais inferiores da degradação pública.

Ninguém jamais conseguirá medir a quantidade de recursos e as toneladas de alegrias que, nesse demorado interregno, foram solapados ao Maranhão, mas o povo maranhense foi obrigado a medir, ao peso do atraso e da miséria, o custo exato dessa lenda maldita.. E, diante disso, os que hoje estão no poder não podem enterrar esse passado, se nem sabem quantos passados ainda mais escandalosos estão ocultos à procura de um futuro por aí.

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