segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A CENSURA NOS 60 ANOS DE OTHELINO FILHO
JM Cunha santos

O jornalista Othelino Filho completa sessenta anos de uma vida marcada por lutas, sentimentos e tragédias que só se concentram nas almas que amam a liberdade. As tragédias de sua vida são conhecidas: a morte de seu pai, violentamente arrancado ao convívio e ao respeito do povo que defendia acima de todos os tiranos e a tragédia social e política que acometeu e ainda acomete sua gente, o povo brasileiro, o povo nordestino, o cearense do Sobral, do Cariri que ainda hoje transporta o coração “no último Pau de Arara”; o maranhense de Bacabeira, do Rosário, de todo o Estado, vitima da tragédia política de uma oligarquia que a quatro décadas se impôs pela fome e pelos fuzis da ditadura nesse Estado. Ditadura que enfrentou e oligarquia que ainda enfrenta com a mesma alma de menino inconseqüente que um dia acabou preso em um dos subterrâneos da liberdade neste país, uma cela política na cidade de Fortaleza.

Othelino Filho é, portanto, o testemunho vivo de que o jornalismo é uma profissão de risco, principalmente para os que se arriscam a enfrentar os poderosos, os ditadores, os tiranos, a estar sempre no lugar errado na hora errada.

A organização Repórteres Sem Fronteiras registra que no ano de 2008 60 jornalistas foram mortos, 673 foram presos, 429 foram agredidos ou ameaçados e 29 foram raptados. Nada menos que 353 meios de comunicação foram censurados.

Deste modo, comemorar o aniversário de Othelino Filho é investir contra todas as formas de censura, inclusive a imposta pela Justiça ao jornal “O Estado de São Paulo”, referendada agora pelo Supremo Tribunal Federal; inclusive as sucessivas tentativas de impor censura ao “Jornal Pequeno” - todas as formas de atentados à liberdade de expressão como, no caso, os blogs e sites travados pela oligarquia no Amapá.

Registre-se esse aniversário, portanto, não apenas como a passagem dos anos de um, entre nós, que não aceita, porque nunca aceitou, a mordaça, o ferrolho na boca, o silêncio forçado pela gritaria do autoritarismo. Que seja esta comemoração encarada como um Manifesto da Imprensa Maranhense em favor da liberdade. Uma contestação à decisão recente do Supremo Tribunal Federal de manter a censura imposta ao jornal “O Estado de São Paulo”.

Toda e qualquer forma de censura representa uma afronta aos direitos constitucionais, uma forma de repressão aos sentimentos, um atentado à mais humana de todas as nossas manifestações: a liberdade de expressão.

Abaixo a censura!

Viva a imprensa maranhense!

Viva a imprensa do Amapá!

Viva o jornal “O Estado de São Paulo”!

Parabéns ao jornalista Othelino Nova Alves Filho, por sua vida, por sua luta, por seu amor à liberdade!

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