JM Cunha Santos
Não comprem o Jornal Pequeno hoje. Ele traz uma notícia que não é verdade, publica um fato que não aconteceu. Josilda não é morta. Isto aborreceria as luzes, as nuvens iam querer trocar de céu e os pássaros provavelmente se tornariam subterrâneos. Como subterrâneas são todas as ilusões da vida.
Não comprem o Jornal Pequeno hoje. Não leiam que falta uma página, falta um riso largo e uma fulminante vontade de viver. Não devemos ler sobre tristezas, não estamos prontos para tantas agonias. Leiam outros números, de outros dias quando era lançado o Anuário Guesa Errante, por exemplo, quando os poetas eram pagos para sofrer em páginas coloridas até a nova manhã de suas almas.
Não comprem o Jornal Pequeno hoje. Não leiam. Falta uma letra que caiu do alfabeto, falta uma coluna, um artigo eterno, uma manchete principal que esconderam para nos fazer chorar. Leiam aquele outro número, aquele do aniversário de Josilda Bogéa, aquele de sua formatura ou algum outro que diga do dia de seu casamento e do nascimento de seus filhos.
O Jornal Pequeno de hoje é um jornal molhado de lágrimas, está dizendo mentiras sobre velórios, sobre um corpo que parte e uma alma que fica, sobre uma moça criada entre graxas e linotipos e que se construiu para que esse mundo fosse melhor. Não leiam que é impublicável e não sabe ressuscitar.
O Jornal Pequeno de hoje chora a impotência humana, a incapacidade de vencer a morte, não é útil para a sociedade e é ilegível para os poetas. É ilegível para qualquer um que entenda o amor de Deus.
Não leiam, mas se acaso lerem, pensem em Josilda, nas horas dedicadas para divulgar os tumultos humanos, nos dias e noites gastos em superar obstáculos e vencer.
Não leiam o Jornal Pequeno hoje. Leiam amanhã e depois e depois de depois de amanhã para que não tenha sido em vão qualquer minuto dessa luta de 50 anos de Josilda Bogéa Anchieta para conservar o amor à liberdade.
Não leiam o Jornal Pequeno hoje. Ele não sabe o que dizer.
Tentou fazer uma coisa bonita e....ficou ridicula
ResponderExcluirMuito obrigado.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ realmente esse não é um dia bom para se ler o Jornal Pequeno... quem conviveu de perto com Josilda Bogéa realmente sabe o quanto sua voz nos acalmava, seu olhar nos transmitia confiança e a esperança na fraternidade a conduzia. Durante toda minha passagem pelo Jornal Pequeno não lembro de pessoa que conservasse tamanha força e delicadeza e que brandura de pessoa. Nesse momento de consternação concordo com o Cunha, não tinha poeta que não se rendesse ao carinho com que ela tratava a literatura e os poetas maranhenses. Dá vontade de fazer roubar os versos de Manoel Bandeira Irene no Céu:
ResponderExcluir"Josilda no Céu"
Josilda preta
Josilda boa
Josilda sempre de bom humor.
Imagino Josilda entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Josilda. Você não precisa pedir licença.
Marco Polo Haickel
Josilda ficará em nossas memórias; mesmo sabendo que a memória é algo que vai se apagando para que outras fiquem no lugar ads antigas. Lutou bastante e não conseguiu vencer essa viril doença que tem levados muitos dos que amamos. Com certeza, pela sua forma carinhosa de ser e tratar as pessoas (poetas, funcionários, parceiros, amigos, familiares etc) conseguirá que permaneça por muito tempo iluminando nossas lembranças. Adeus, Josilda. Nós, poetas, estamos em silêncios... Bioque Mesito.
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