quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Naves da corrupção
JM Cunha Santos

Naves estranhas deixam aeroportos ocultos e singram os ares do Maranhão no período eleitoral. Dentro delas viajam malas pretas carregadas de cheques em branco e dinheiro vivo cuja finalidade é comprar consciências, alterar posições políticas, mudar o resultado eleitoral.

Não temos como provar isso, nem é preciso. Para casos como estes, as provas caíram em desuso, porque todo mundo comenta, todo mundo diz que sabe e muitos outros fingem não saber. Também não estamos insultando o espaço aéreo maranhense por onde navegam coisas bem mais estranhas que cheques em branco, como malotes de cocaína e fardos de maconha. É apenas um registro da memória cansada de todos os anos ouvir histórias fantásticas sobre cargas eleitorais que mudam a vontade das urnas enquanto aqueles que receberam essa injeção de ânimo a bordo de naves espaciais compram outros aviões e outros helicópteros que vão mudar os resultados de outras eleições.

Comprar vontades, mudar desejos é uma tarefa de quem tem super-poderes. Não pode ser entregue a qualquer um. Dentro dessas naves estarão os lordes da politicalha, certamente. E depois que esses aviões passam deixando os corações da multidão cheios de esperanças, as histórias de compras de votos a R$ 50% e a alegria de um dia de carne ou de uma passagem meteórica pelo super-mercado acalanta muitos que só tinham na vida uma coisa para vender: o próprio voto.

Por isso não importa de quem é o avião ou para que serve o avião ou quanto recebe o piloto que cumpriu o dever patriótico de fazer votar. Importa é que aquela população nunca mais será a mesma; estará sempre à espera de novos vôos, novas eleições, novas naves espaciais, outros aviões e helicópteros da corrupção eleitoral.

2 comentários:

  1. Belo post! Sabemos muito bem o que ocorre no aeroporto Cunha Machado todas as eleições, principalmente para o governo do Estado. Todos sabem, e ninguém, nenhuma autoridade policial e/ou judicial não tem a proatividade de investigar. E assim continua-se a compra de consciências que não tem culpa de venderem inconscientemente um direito. E o Estado cada vez mais pobre e carente.

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  2. Extraordinário comentário, Leonardo Silva, principalmente quando isenta de culpa os que vendem inconscientemente seus direitos.

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