JM Cunha Santos
“Ando por uma rua que passa em todos os países”; “estrangeiro aqui, como em toda a parte”. Esses dois gestos poéticos, do brasileiro Carlos Drummont de Andrade e do português Fernando Pessoa devem servir como reflexão à presença na nave planeta Terra do bebê 7 bilhões. Como a mão cheia de jóias do Canal 34 (TV Shopping –TVN) ninguém sabe a quem ele pertence se ao mundo em luta pela paz ou a esse outro em estado permanente de guerra.
“Ando por uma rua que passa em todos os países”; “estrangeiro aqui, como em toda a parte”. Esses dois gestos poéticos, do brasileiro Carlos Drummont de Andrade e do português Fernando Pessoa devem servir como reflexão à presença na nave planeta Terra do bebê 7 bilhões. Como a mão cheia de jóias do Canal 34 (TV Shopping –TVN) ninguém sabe a quem ele pertence se ao mundo em luta pela paz ou a esse outro em estado permanente de guerra.
Quem dera fosse ele o bebê a apagar todas as fronteiras, a fazer da Terra um país só, a nascer em uma rua de todas as nações, que se fosse estrangeiro e nativo de qualquer lugar. Para que não existissem as diferenças no olhar e ninguém armado até os dentes se sentisse proprietário de mundos; para que o vício antropológico de um se sentir melhor que o outro pela cor da pele, pela origem, pelo poder de cada mão, tão exacerbado, não fosse conferido em extermínios, em povos sem pátria e povos com pátrias demais.
O bebê 7 bilhões, símbolo da bomba populacional, tanto pode representar esse futuro que una todas as províncias, todas as aldeias a norte e a sul dos nossos ombros, todas as religiões, todas as raças em uma só, como um outro destroçado por guerras fratricidas, pela ilusão da propriedade privada; esse em que o pronome possessivo tem mais valor que o verbo amar.
O bebê 7 bilhões tanto pode vestir-se de todas as bandeiras, como despir-se de todas elas e construir uma bandeira única que ponha fim à irracional estupidez da humanidade; o bebê 7 bilhões, se é o bebê de todas as crises econômicas, pode também, em futuro não muito distante, ser o bebê sem fome, finalmente um bebê sem fome no pós-parto. E oremos todos nós pela existência de um mundo sem estrangeiros nem barbárie.
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