JM Cunha Santos
É espantoso que, 500 anos depois, o genocídio étnico iniciado pelos portugueses e reforçado pelos “Bandeirantes” contra os índios brasileiros ainda seja assunto de capa de jornais neste país. A denúncia do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) de que nos últimos 8 anos 250 índios foram assassinados no Mato Grosso do Sul é outra a ilustrar a indignação do povo e a incompetência das autoridades.
Eles continuam sendo vítimas da mesma limpeza étnica que o homem branco perpetrou contra o gentio acusado de paganismo, o que, afinal, nem era verdade, nos primórdios do descobrimento do Brasil. Não bastassem os assassinatos, a entidade indigenista contabilizou 190 tentativas de homicídios, 176 suicídios e 76 conflitos relacionados à disputa violenta pela terra. (Folha on line). É demais para os herdeiros de Caramuru.
Não evoluímos. Nada fizemos pelos verdadeiros donos dessa terra. As doenças do homem branco, outro fator de extermínio, ainda atacam as aldeias; a disputa por espaço com mineiros e madeireiros contribui para a debilidade e o suicídio em massa dos chamados gentios e as autoridades se revelam incapazes de deter a destruição do povo que, verdadeiramente, descobriu o Brasil.
À invasão do habitat natural sucede a escravidão e a violência, frutos da ambição desmedida de selvagens que habitam florestas de concreto e buscam nas matas o lucro e um conforto de que os índios nem fazem questão.
Se lhes tomam os rios, a caça, a terra não haverão de sobreviver por muito tempo; se lhes corroem a saúde e matam seus guerreiros são culpados tanto quanto os nazistas de uma limpeza étnica que nos envergonha perante o mundo e que não é mais possível permitir.
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