JM Cunha Santos
(Ao poeta Alberico Carneiro Filho)
(Ao poeta Alberico Carneiro Filho)
Para conquistar a tua sombra
de ti, enfim, a parte mais bonita,
hei de tornar-me uma arte de Dali
ou um poema de Federico Garcia Lorca
Para conquistar a tua sombra
em teu corpo
o que sexualmente mais me assombra
serei cinzento como almas de governantes
e barulhento
como as canções prediletas de um surdo
Para conquistar a tua sombra
do corpo o canto
aonde estragas mais perfume
serei o padre podre de uma igreja sufocada
um pouco mais além do que fiquei aqui
Para conquistar a tua sombra
lugar aonde rasgas mais vestidos
padecerei como as cortinas de um teatro
jantarei moças sem calças em praça pública
e não mais almoçarei cigarros com café
Para conquistar a tua sombra
síntese da rebeldia do não querer existir
serei um sangradouro público
e me calcularei
como todo amor nunca jamais existido
Para conquistar a tua sombra
prometo a Deus e à Revolução:
também para mim será possível não ser real
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