sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mancha escura

JM Cunha Santos

(Ao poeta Alberico Carneiro Filho)


Para conquistar a tua sombra

de ti, enfim, a parte mais bonita,

hei de tornar-me uma arte de Dali

ou um poema de Federico Garcia Lorca


Para conquistar a tua sombra

em teu corpo

o que sexualmente mais me assombra

serei cinzento como almas de governantes

e barulhento

como as canções prediletas de um surdo



Para conquistar a tua sombra

do corpo o canto

aonde estragas mais perfume

serei o padre podre de uma igreja sufocada

um pouco mais além do que fiquei aqui



Para conquistar a tua sombra

lugar aonde rasgas mais vestidos

padecerei como as cortinas de um teatro

jantarei moças sem calças em praça pública

e não mais almoçarei cigarros com café



Para conquistar a tua sombra

síntese da rebeldia do não querer existir

serei um sangradouro público

e me calcularei

como todo amor nunca jamais existido



Para conquistar a tua sombra

prometo a Deus e à Revolução:

também para mim será possível não ser real

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