quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Do humor político

JM Cunha Santos

Houve um tempo em que o espaço maior das campanhas eram os comícios para onde os candidatos arrastavam multidões e os oradores se sucediam, podendo os discursos bem elaborados ou engraçados ganhar os eleitores. O senador Epitácio Cafeteira, por exemplo, ganhou muitos votos sendo gentil com o humor ou criando bordões sensíveis com o sentimento do povo como aquele que dizia: “No meu governo ninguém vai meter a mão no jarro”. Meteram, mas ele já havia garantido sua eleição. Houve um candidato que se sobressaiu dizendo: “Ruim por ruim vote em mim”.

E há o irresistível anedotário popular sobre os políticos. Por exemplo: “Os políticos são como fraldas. Devem ser trocados constantemente. E sempre pelo mesmo motivo”. Mas com o advento do palanque eletrônico, que mudou a história dos grandes discursos, oradores, slogans e bordões e do próprio contato com o eleitor, as campanhas ficaram mais frias. Afinal, há frases bem mais cabeludas sobre os adversários políticos que jamais poderiam ser ditas em horário nobre.

É terrível, por exemplo, conforme se pode ver no primeiro dia da propaganda eleitoral gratuita, assistir candidatos a vereadores tentando dizer, em alguns segundos, o que gastariam pelo menos 20 minutos para dizer. Muitos, como se fossem papagaios, se danam a repetir um mesmo número, na vã esperança de que o eleitor decore.

As velhas campanhas, portanto, apesar de mais difíceis e de exigirem um esforço físico bem maior, eram bem mais atrativas, porque em quase tudo dependiam da criatividade do candidato. Uma das últimas notícias dessa criatividade veio do palhaço que quase fica sem mandato por ser analfabeto: “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica”.

Seria muito bom se os candidatos conseguissem transferir para a propaganda eleitoral gratuita esse humor que nas campanhas de hoje quase não se vê mais.

Um comentário:

  1. ótimo artigo.. deixo a sugestão boa de humor politico o site - www.humorpolitico.com.br

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