JM
Cunha Santos
No
mínimo já é noite e aquela alma fora do corpo é a minha. Esses cães latindo são
o som da minha dor. Estou à espera de uma dor que não envelheça. Não sei o que
o sol faz aqui ensinando meio dia. Tento conversar com os fantasmas e eles
estão engasgados. Um dia vou aprender a dormir e nesse dia realizarei um sonho:
o de não ser eu e ser mais de um.
Não
sei o que é aquilo que se move, mas ouço que as estrelas gritam e procuram por
minha voz. Estou tão só que não consigo me tocar, tão desamparado que não
reflito na lama. Falta-me um grande amor, desses que quebram os braços, pulam
das janelas e sujam as cuecas. Sinto falta dos postes e de crianças onde me
encostar. Eu já fui pássaro; sei, porque não vôo.
Havia uma estrada por onde eu ia, um beco de
onde retornava. Eu não era um muro. Agora eles me apontam suas canetas, armas
da escravidão. Mal posso suportar o vento insistindo que eu existo. Querem que
eu desista, que naufrague, mas não sei me afogar. Tudo parece tão lento. Aqui é
o fim do mundo e meu único consolo são esses cães latindo em alemão.
Estou
à espera de que alguém volte, mas ninguém se foi. Todos ficaram para bater
palmas no meu enterro. Preciso da melancolia, mas não sei sofrer. Estão me
vigiando, patrulhando, procurando defeitos como se eu pudesse falar. Porque não
me deixam amanhecer? Porque me apontam tantas canetas? O que pretendem escrever
em mim?
Quem
já expulsou a madrugada sabe que a manhã é só um lugar a mais. A noite é tão
longa que nada está depois dela. Só eu e a saudade de amanhã, só eu e essa
lembrança do futuro, só eu e a janela onde penso na remota possibilidade de
existir.
Só
eu, Larissa e seus olhos que se apagam sem nenhuma luz.
Lindo, Insano.
ResponderExcluirmui oportuno o conteudo. mas aproveitando o momento, poderia vir a ser recompensada a covardia dos deputados da Casa de bequimão, em não realizar uma Audiencia Pública apesar de já provocados via protocolo, para avaliar a questão da falta de fiscalização quanto o aumento dos residuos toxicos e altamente toxicos resultantes da produção da alumina e aluminio, guardados em "lagos artificiais" na zona rural da capital maranhense, em terras da União federal, entretanto sob o dominio util do governo do estado. Covardia, quando em dezembro proximo estará acontecendo um evento realizado pela Alumar, mostrando quão é rentável a produção da alumina e aluminio no maranhão, onde ha um efetivo controle para que não fiscalizações não aconteçam. Arnaldo melo que demonstre que neste caso não tem a covardia como meta.
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