sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Maranhão, minha terra, meu apagão

JM Cunha Santos

Às 18 horas da terça-feira, um aviso surpreendeu Isos e lisos no Hiper Bom Preço do Shopping São Luís: nenhuma operadora de cartões de crédito e débito estava respondendo. Pagamentos, portanto, só em dinheiro. O que teve de figuraças, figurões e empobrecidos abandonando carrinhos cheios de compras nos corredores nem deu para conferir.
A essas alturas já corria a notícia de que a cidade de Barreirinhas, principal pólo turístico do Maranhão, havia passado todo o final de semana sem energia elétrica em mais um dos chocantes apagões do ministro Edison Lobão. Mas, pelo menos por enquanto, era possível suportar.
Era. Foi só esperar a manhã de quarta-feira para dar de cara com um apagão eletrônico geral nas operadoras de telefonia móvel e em quase todas as bandas e quimbandas, largas e estreitas, da internet. Ninguém conseguia explicar nada. O fato é que muitos negócios não se concluíram, projetos foram adiados, o setor de serviços entrou em colapso e até namoros foram rompidos. Dá até para pensar na situação do pessoal que só pratica sexo virtual. Faltou tesão até pela internet.
Não me acusem de pessimismo, mas tem alguma coisa errada com o Maranhão. Temos um aeroporto sem restaurante e com lanchonetes que só vendem sanduíches frios. Temos uma BR que não anda, praias onde ninguém pode banhar, lâmpadas que não acendem e, para coroamento de todas as infelicidades, nos tornamos, por um bom tempo, o único estado do planeta sem comunicação digital com o resto do mundo.
É apagão para todos os gostos. Parece que as únicas coisas que não se apagam por aqui são a ineficiência, a ingerência, a incompetência e a maledicência. E para explicar essa situação nem Freud com todo o poder paranormal de sua ciência. Rimou.

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