sábado, 19 de janeiro de 2013

Cachê, cachaça e caixão

JM Cunha Santos

O carnaval é um dos festins de Baco, o deus pecador da mitologia que engole álcool e, divinamente, patrocina a luxúria dos seres humanos. Mas não haverá escolas de samba na Avenida. Nem mesmo aquele humilhante sambódromo de pau a pique estará lá. Não estarão lá aquelas estonteantes donzelas de biquíni, os carros alegóricos, o surdo, o cavaquinho e o tamborim.
Não haverá carnaval, porque carnaval mesmo estão fazendo com a saúde pública de São Luís, servindo, neste momento, para disputas políticas irracionais. O tema central desse desfile são R$ 77 milhões do SUS que Roseana Sarney quer nos cofres do Estado e Edivaldo Holanda Júnior não aceita que escapem aos cofres da Prefeitura. Mas alguém tinha deixado a impressão de que uma parceria, afinal, iria acontecer. E chegamos a sonhar com o fim das filas nos Socorrões, dos pacientes aguardando nos corredores e com consultas marcadas para o dia seguinte e não para a outra encarnação. Quem sabe, os pacientes até poderiam desfilar no ano que vem, pois passaram a sensação de que o bem estar do povo vinha em primeiro lugar.
Sem samba e sem hospital, anuncie-se a Escola de Samba vencedora: a que trouxe à avenida a ala dos aleijados e feridos, que expôs o vírus da política e as bactérias da inanição. Não haverá carnaval, não haverá hospital, não haverá parcerias ou, como diz a letra do samba “não entendi o enredo desse samba amor, desfilei na passarela da desilusão”.
Não haverá carnaval em São Luís porque não houve cachê, mas haverá cachaça que o governo patrocina em shows megalomaníacos ao custo de R$ 4 milhões que reúnem as maiores estrelas do país. E haverá caixão porque qualquer um pode morrer sem se divertir, sem desfilar e sem sambar nas filas dos hospitais.
A saúde em São Luís deve continuar na dependência da caridade pública. E a gente não tem nem o direito de cantar: “Não entendi o enredo desse samba, amor, desfilei na passarela da desilusão”. Mas paguei, em votos e coragem, a subvenção.   

Um comentário:

  1. Caro cunha santos.

    A Dilminas e energia vai no piauí tem apagão, ela veste a roupa de vaqueiro cujo nome é GIBÃO e diz vamos ter um PIBÃO, mas na verade o veio foi um APAGÃO seguidop DE uma grande INFLAÇÃO,tá igual o holandão não deu dinheiro pro carnaval mais encheu o gasofilácio do templo evangélico com dinheiro, se não deu prô carnaval, não misture polítca e religão com nosso rico impostão e as grandes taxação,a ssim não holandão o estado leigo ou laico, como quiser, mas líder de igreja não faz retiro é so turismo pentescostal com o vil metal não me leve amal, isso não é legal.

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