Do portal G1
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (14) a sétima fase da
Operação Lava Jato, cumprindo mandados de prisão e busca e apreensão no Paraná,
em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Distrito
Federal. A Petrobras está no centro das investigações da Lava Jato,
desencadeada em março para desmontar um suposto esquema de lavagem de dinheiro
que teria movimentado R$ 10 bilhões, segundo a Polícia Federal.
Um dos detidos pelos 300 agentes federais envolvidos na operação é o
ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Indicado pelo PT, ele foi
preso em casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e conduzido para a
superintendência local da Polícia Federal. Em depoimento à PF e ao Ministério Público no mês
passado, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto
Costa, que fez acordo de delação premiada e atualmente cumpre prisão
domiciliar, disse ter conhecimento de irregularidades praticadas na Diretoria
de Serviços, à época comandada por Duque.
Nota divulgada pela assessoria de Renato Duque informou que o ex-diretor
da Petrobras foi preso temporariamente. Segundo o texto, não há "notícia
de uma ação penal ajuizada contra ele". "Os advogados desconhecem
qualquer acusação", diz o comunicado. "A partir do momento em que
tomarem ciência do motivo da prisão temporária, realizada para investigações,
os advogados adotarão as medidas cabíveis para restabelecer a legalidade",
acrescentou a nota de Duque.
Também foram presos na manhã desta sexta-feira funcionários de empresas
que mantêm contratos com a Petrobras. Entre os presos, estão funcionários de
Segundo Polícia Federal, a Justiça Federal do Paraná, responsável pelo
processo, decretou seis mandados de prisão preventiva, 21 de prisão temporária,
nove de condução coercitiva (quando o suspeito é conduzido à polícia para
prestar esclarecimentos) e 49 de busca e apreensão.
Um avião da Polícia Federal decolará de Brasília nesta sexta para
recolher os suspeitos e levá-los para a superintendência da PF em Curitiba,
onde está sendo centralizada a operação.
Em entrevista coletiva concedida em Curitiba, os delegados da PF
responsáveis pela operação informaram que as prisões tiveram foco nos
executivos das empresas que celebraram contratos com a Petrobras nos últimos
anos. De acordo com a PF, os presos são "agentes secundários" que
tinham envolvimento com doleiros integrantes do esquema criminoso.
Todos os investigados ainda não encontrados, esclareceram os delegados,
já tiveram seus nomes registrados no sistema da Polícia Federal e estão
impedidos de deixar o país. Os nomes dos investigados com mandado de prisão
preventiva também foram incluídos na lista de alerta vermelho da Interpol.
A Polícia Federal informou que um dos mandados de prisão temporária
expedidos é o do lobista Fernando Soares, conhecido como "Fernando
Baiano". Segundo a PF, ele não foi encontrado pelos policiais que atuam na
operação e já é considerado foragido. Em depoimento em outubro, o doleiro
Alberto Youssef mencionou à Justiça Federal do Paraná que Fernando Baiano
operava a cota do PMDB no esquema de corrupção que tinha tentáculos na
Petrobras. O doleiro afirmou à Justiça que o lobista fazia a ponte entre a
construtora Andrade Gutierrez com a estatal do petróleo.
BLOQUEIO DE BENS
Segundo a PF, os envolvidos responderão, de acordo com suas
participações no esquema, pelos crimes de organização criminosa, formação de
cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, foi decretado o bloqueio de
aproximadamente R$ 720 mihões em bens pertencentes a 36 investigados. Além
disso, o juiz federal Sérgio Moro, que está julgando a Lava Jato na primeira
instância, autorizou o bloqueio integral de recursos financeiros de três
empresas que seria de propriedade de um dos operadores do esquema criminoso.
As buscas e apreensões feitas nesta sexta, explicou a assessoria de
imprensa da Receita Federal, servirão para promover eventuais ações fiscais em
decorrência de supostos pagamentos de serviços que possam não ter sido
prestados, como “assessorias” ou “consultorias”. Conforme a Receita, os valores
desses supostos serviços, contabilizados como "custos operacionais",
reduziriam de forma fraudulenta a base de cálculo de tributos.
Contratos suspeitos
Os principais contratos da Petrobras sob suspeita são a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que teria servido para abastecer caixa de partidos e pagar propina, e o da construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, da qual teriam sido desviados até R$ 400 milhões.
Os principais contratos da Petrobras sob suspeita são a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que teria servido para abastecer caixa de partidos e pagar propina, e o da construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, da qual teriam sido desviados até R$ 400 milhões.
Segundo Paulo Roberto Costa, o PT recolhia para o seu caixa 100% da
propina obtida em contratos das diretorias que a sigla administrava, como, por
exemplo, as de Serviços, Gás e Energia e Exploração e Produção. Na delação
premiada, o ex-diretor de Abastecimento contou que, se o contrato era de uma
diretoria que pertencia ao PP, o PT ficava com dois terços do valor e o
restante era repassado para a legenda aliada.
DELAÇÕES PREMIADAS
Na última terça (12), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,
afirmou que, ao menos, nove pessoas já concordaram em colaborar com as
investigações da Operação Lava Jato com a delação premiada. Além disso, outras
já se interessaram em apontar nomes de envolvidos e fatos relacionados ao
suposto esquema de pagamento de propina a políticos a partir de contratos da
Petrobras, foco da investigação.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já homologou a delação premiada do
ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Janot
relatou que há outras três delações concluídas e prontas para serem
homologadas.
Além disso, informou o chefe do Ministério Público, mais “cinco ou seis”
colaboradores estão negociando acordo semelhantes com os procuradores
responsáveis pelo caso, entre eles o doleiro Alberto
Youssef, apontado como um dos líderes da organização criminosa.
Veja quais mandados judiciais estão sendo cumpridos pela PF nesta sexta:
Paraná
Dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva, em Curitiba.
Dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva, em Curitiba.
Distrito Federal
Um mandado de busca e um de prisão preventiva.
Um mandado de busca e um de prisão preventiva.
Minas Gerais
Dois mandados de busca e apreensão, em Belo Horizonte.
Dois mandados de busca e apreensão, em Belo Horizonte.
Pernambuco
Dois mandados de busca e apreensão, em Recife.
Dois mandados de busca e apreensão, em Recife.
Rio de Janeiro
Onze mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e quatro de prisão temporária.
Onze mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e quatro de prisão temporária.
São Paulo
Na capital paulista, devem ser cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, dois mandado de prisão preventiva, 15 de prisão temporária e nove de conduções coercitivas. Em Jundiai, no interior paulista, os agentes federais devem cumprir um mandado de busca e um de prisão temporária. Por fim, em Santos, no litoral paulista, há um mandado de busca e apreensão e um de prisão temporária.
Na capital paulista, devem ser cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, dois mandado de prisão preventiva, 15 de prisão temporária e nove de conduções coercitivas. Em Jundiai, no interior paulista, os agentes federais devem cumprir um mandado de busca e um de prisão temporária. Por fim, em Santos, no litoral paulista, há um mandado de busca e apreensão e um de prisão temporária.


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