Da Folha de São Paulo
Ela deixou a bagunça para
trás e sumiu. Vou tomar posse no escuro”. O
protesto é do futuro governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Eleito com
64% dos votos, ele está preocupado com o buraco nas contas do Estado. Terá que
esperar até o próximo dia 1º para descobrir o tamanho das dívidas. Sua
antecessora, Roseana Sarney (PMDB), renunciou na semana passada para não dar
posse ao rival.
“Vamos ter que trocar os trilhos e botar o trem para
andar ao mesmo tempo”, reclama Dino, um ex-juiz
federal de 46 anos, que se elegeu com a promessa de dar fim ao reinado de cinco
décadas da família Sarney.
O novo governador diz que já esperava uma transição difícil, mas está
surpreso com a falta de informações básicas sobre o caixa estadual. Faltam
números sobre contratos, repasses a prefeituras e pagamentos a funcionários terceirizados.
“Estão interrompendo os pagamentos na área da saúde
, que não tem concurso público há cerca de 20 anos.
A dívida com os precatórios está explodindo, e a gente não sabe o que vai ser
quitado e o que vai ficar para
o ano que vem”, afirma Dino.
Pelo “Diário Oficial”, a equipe do novo governo fica sabendo de medidas
como a renovação de contratos que só venceriam em 2015. “É uma atitude pueril
de sabotagem”, reclama o próximo governador.
No discurso de despedida, Roseana disse que renunciou por motivos
“estritamente pessoais, sem qualquer conotação de ordem política ou de qualquer
outro interesse”. Fez elogios à própria gestão e afirmou que o Maranhão “voltou
a trilhar um novo caminho de crescimento”, embora o Estado ainda tenha o segundo
pior resultado do país no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. “Saio com a
certeza do dever cumprido”, concluiu a ex-governadora.
Para Dino, a
transição foi apenas um dos deveres que ficaram pelo caminho. “Eles achavam que
o governo seria eterno e que esse momento nunca iria chegar”, critica.

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