terça-feira, 24 de novembro de 2009

Síndrome
JM Cunha Santos




A poesia acabou.

Estivadores sem paz

carregam o último fardo de poesia

a última sombra permitida de um cansaço


A poesia acabou;

Estão fazendo versos de flandre

estrofes de latas velhas, rimas de plástico


A poesia acabou

quando desferiram o primeiro tiro

quando a primeira alma foi cortada a faca

quando venceram a primeira guerra


a poesia acabou


quando o último homem matou o primeiro homem

quando a primeira criança provou sobras de nada


a poesia acabou

quando a primeira mulher forçou-se ao parto imposto

a poesia acabou

quando Pilatos lavou as mãos e a paciência

quando a cruz caiu das mãos de Jesus Cristo

a poesia acabou


e nunca mais se ouviu um gesto de ternura


5 comentários:

  1. Amigo, nao quero acreditar nisso, mas admiro a imaginacao.
    Boa noite para si e um abraco

    ResponderExcluir
  2. Que poema maravilhoso, parece a dor de alguém de 20 anos sentida por alguém de 80. Brilhante!

    ResponderExcluir
  3. Honrado com sua visita a xanadu/poesias.
    Gostei do trabalho que fazes aqui, Parabéns!
    Estarei editando o seu link por lá.

    Vamos nos falando.
    Tácito

    ResponderExcluir
  4. Ei, Tiara, você pode não acreditar,mas realmente foi um jovem de 20anos que escreveu.

    ResponderExcluir
  5. Oi,Paulo, agrdeço sua passagem por sobre minha poesia e preciso repetir: "Sou eu que procuro/as palavras submissas/ à noite dos vôos". Como apoesia pode ser extasiante,impressioante.Pena que cada vez mais seja encrada como um xercício deinutilidade.

    ResponderExcluir