JM Cunha Santos
A poesia acabou.
Estivadores sem paz
carregam o último fardo de poesia
a última sombra permitida de um cansaço
A poesia acabou;
Estão fazendo versos de flandre
estrofes de latas velhas, rimas de plástico
A poesia acabou
quando desferiram o primeiro tiro
quando a primeira alma foi cortada a faca
quando venceram a primeira guerra
a poesia acabou
quando o último homem matou o primeiro homem
quando a primeira criança provou sobras de nada
a poesia acabou
quando a primeira mulher forçou-se ao parto imposto
a poesia acabou
quando Pilatos lavou as mãos e a paciência
quando a cruz caiu das mãos de Jesus Cristo
a poesia acabou
e nunca mais se ouviu um gesto de ternura

Amigo, nao quero acreditar nisso, mas admiro a imaginacao.
ResponderExcluirBoa noite para si e um abraco
Que poema maravilhoso, parece a dor de alguém de 20 anos sentida por alguém de 80. Brilhante!
ResponderExcluirHonrado com sua visita a xanadu/poesias.
ResponderExcluirGostei do trabalho que fazes aqui, Parabéns!
Estarei editando o seu link por lá.
Vamos nos falando.
Tácito
Ei, Tiara, você pode não acreditar,mas realmente foi um jovem de 20anos que escreveu.
ResponderExcluirOi,Paulo, agrdeço sua passagem por sobre minha poesia e preciso repetir: "Sou eu que procuro/as palavras submissas/ à noite dos vôos". Como apoesia pode ser extasiante,impressioante.Pena que cada vez mais seja encrada como um xercício deinutilidade.
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