SEXINSÔNIA
JM Cunha Santos
Desvairado humano que de mim se avizinha
fantasma imperfeito, sobra de contrição,
não sei se a alma no chão é tua ou é minha
não lembro a qual de nós pertence o coração
que ronca sem parentes, qual galo numa rinha
e se contrai mal feito, presa de um arpão
Não sei, oh fogo fátuo que à noite me segue,
quem de nós sobrará vivo ao porvir
qual se venderá a este povo que não serve
qual de nós ao outro não permite mais dormir
Se um, nós somos dois – o diabo te carregue
- Permita-me apenas o sublime de cuspir
sobre a clava na cabeça ora dispensada
por estrelas e cometas em fagulhas
a mais ainda atrapalhar a carne já cansada
que se repete à oratória de alguns pulhas
que sendo apenas carne não é quase mais nada
deitada sobre pregos, facas, tripas e agulhas
Desfalecer, qual anjos tortos em barulho
é sonho que não ousa nem sequer amanhecer
a carne cortada em postas - o sexo é o bagulho
de quem não dorme e sonha se desfalecer;
é o poeta a se tornar seu próprio entulho
e a entulhar-se, lixo pouco de seu próprio ser
E eis que em ti dói bem mais a pulga que a valsa
no travesseiro a esfarelar-se em compulsão
paixões inteiras escondidas sobre a calça
de quem se despe em colóquio com um cão
e bate os pés dançando, quedo, a mesma salsa
que toca no tambor de cor azul da sensação
Passar a noite qual mulher quase parindo
sem dia no outro dia escuro da cidade
e um povo, escadeirado, fora da janela, rindo
de tão falível paz, de tão tamanha enormidade,
esta de loucos a se comer se destruindo
enquanto, quase triste, eu estico a eternidade
Oh silêncio que grita como tuba nos ouvindo
- milhões de grilos cantarolando em suas veias
no ritmo das pragas a zunir se consumindo
e a mesma aranha construindo as mesmas teias
sobre séculos de dor no quarto se espargindo
- E ele bebe cal, com solidão, tintas e aveias
Dorme, senil Senhor, que a muriçoca te embala
dorme, que o mundo inteiro já finge sumir
dorme, que lá fora a humanidade troca bala
e, embora não sendo humano, tu podes fluir;
engole essa canção que no peito te empala
e faz da morte certa uma forma de dormir
Não foge à concupiscência neutra de teus zelos
não rende-te aos apelos desastrados das paixões
não há como viveres sem teus pesadelos
não há como viveres sem tuas alucinações
sem todos estes bichos que brincam nos teus pelos
sem as traças que nas noites consomem decisões!
De pensar, talvez, nas dores todas deste mundo
e sucumbente refletir sobre a fatal legalidade
nada no teu sono será senil e mais imundo
que navegar no barco sujo da igualdade.
És filho da esquerda mão de um Deus profundo
que insiste em encolher ainda mais tua eternidade
Vê que a manhã se aproxima lenta e perigosa
logo mais não haverá razões de amanhecer
não haverá poemas, não sobrará nenhuma prosa
num dia a mais em que te obriguem a revolver
teu ato sexual (em que somente o diabo goza)
quando a noite come o que sobrou do entardecer!
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sábado, 13 de março de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
É proibido
(Letra de música)
JM Cunha Santos
É proibido
É proibido
É proibido falar de amor
É proibido
É proibido
É proibido regar a flor
A terra seca me assusta o sonho
Homens se comem, couro e feijão
Eu tão pequeno, pobre menino,
Seguro a santa que não tem mão
Guardas me guardam com seus revólveres
Sempre apontados pra timidez
E os automóveis que me dominam
Freiam em cima da lucidez
É proibido...
A bola rola e é gol da fome
Da turbamulta batendo em Deus
Chega a polícia e o homem some
Dentro de um homem que já morreu
Bíblias, canetas, paz documentos
Tele-novela a me engasgar
Astros comprados, jornais de zinco
E a moça loira quer me agarrar
É proibido...
(Letra de música)
JM Cunha Santos
É proibido
É proibido
É proibido falar de amor
É proibido
É proibido
É proibido regar a flor
A terra seca me assusta o sonho
Homens se comem, couro e feijão
Eu tão pequeno, pobre menino,
Seguro a santa que não tem mão
Guardas me guardam com seus revólveres
Sempre apontados pra timidez
E os automóveis que me dominam
Freiam em cima da lucidez
É proibido...
A bola rola e é gol da fome
Da turbamulta batendo em Deus
Chega a polícia e o homem some
Dentro de um homem que já morreu
Bíblias, canetas, paz documentos
Tele-novela a me engasgar
Astros comprados, jornais de zinco
E a moça loira quer me agarrar
É proibido...
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
FÓRUM CARDÍACO
(À moda dos seresteiros)
JM Cunha Santos
Minha tristeza está triste
que, de triste,
resolveu ficar mais triste
a entristecer mais alguém
Éramos sós
eu triste e minha tristeza triste
sem que o mundo entristecesse
- Não aceito dividir dor!
Mexeram com minha tristeza
esgravataram onde não deviam
sem saber: tristeza alheia
é um bem particular
Invadiram minha tristeza e ela triste
de não ser mais uma tristeza sozinha
não quer apenas ser uma tristeza minha
torna-se pública... uma tristeza vulgar...
Ora,
minha tristeza é bonita
negligente
independente
num eterno ir e voltar
Pegava minha tristeza
Todos os dias
num arraial de fobias
logo após o entardecer
Não é uma tristeza obtida
- é uma tristeza querida –
pouco a pouco construída
ao meu próprio divagar
Não queiram minha tristeza que ela
essa tristeza triste, pálida, amarela,
custou anos, custou vidas, custou mágoas
e muito dor
Se querem,
posso lhes dar minha alegria
que de tão pouca, tão pequena
e tão vazia
não sabe nada do amor
(À moda dos seresteiros)
JM Cunha Santos
Minha tristeza está triste
que, de triste,
resolveu ficar mais triste
a entristecer mais alguém
Éramos sós
eu triste e minha tristeza triste
sem que o mundo entristecesse
- Não aceito dividir dor!
Mexeram com minha tristeza
esgravataram onde não deviam
sem saber: tristeza alheia
é um bem particular
Invadiram minha tristeza e ela triste
de não ser mais uma tristeza sozinha
não quer apenas ser uma tristeza minha
torna-se pública... uma tristeza vulgar...
Ora,
minha tristeza é bonita
negligente
independente
num eterno ir e voltar
Pegava minha tristeza
Todos os dias
num arraial de fobias
logo após o entardecer
Não é uma tristeza obtida
- é uma tristeza querida –
pouco a pouco construída
ao meu próprio divagar
Não queiram minha tristeza que ela
essa tristeza triste, pálida, amarela,
custou anos, custou vidas, custou mágoas
e muito dor
Se querem,
posso lhes dar minha alegria
que de tão pouca, tão pequena
e tão vazia
não sabe nada do amor
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
O CRONÔMETRO
JM Cunha Santos
Comprei um relógio branco
para saber as horas que perco
tentando entender o que eu penso
o que acho das coisas
e sofro com relação ao mundo
Meu relógio
marca a dor das pessoas
marca o logo mais da vida
e o antes que virou depois
Posso lhe dar
um segundo do meu relógio;
esse em que duas pessoas
se olham com amor
aquele segundo
em que duas pessoas
não se olham nunca mais
ou o outro, em que nada acontece
Meu relógio marca pecados
Meu relógio marca saudades
e sente quando o coração desce da alma
Não quero vender meu relógio.
Só ele não pára
enquanto eu invento um futuro
JM Cunha Santos
Comprei um relógio branco
para saber as horas que perco
tentando entender o que eu penso
o que acho das coisas
e sofro com relação ao mundo
Meu relógio
marca a dor das pessoas
marca o logo mais da vida
e o antes que virou depois
Posso lhe dar
um segundo do meu relógio;
esse em que duas pessoas
se olham com amor
aquele segundo
em que duas pessoas
não se olham nunca mais
ou o outro, em que nada acontece
Meu relógio marca pecados
Meu relógio marca saudades
e sente quando o coração desce da alma
Não quero vender meu relógio.
Só ele não pára
enquanto eu invento um futuro
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
SILÊNCIO EM COPENHAGUE
(Uma homenagem do poeta JM Cunha Santos a todos os leitores que acompanharam a coluna no decorrer deste ano, como compromisso pela existência de um mundo melhor de viver para todos, a partir da construção de um novo homem. Feliz Natal e Próspero Ano Novo)
JM Cunha Santos
1 – Condenados
Eu respiro o que respira
o resto da humanidade rente
ao CLIMA de superlotação, retenho
gases, sumo, silente sacerdote
da celeste pira – é fogo!
queimo o planeta e pago
despesas de horror
em podridão
2 – Minha máxima culpa
Eu puno ursos, pássaros, penso
peixes, planotestes, pago pedágio
do ar piso na constelação
fumo falências, faço fomes,
passo, pleno, pela dor das pestes
irrito Deus, aguo a água, agito
os brônquios – ó visão celeste! –
de um planeta que me cai
da mão
3 – Explosão demográfica
Reviro o mar, visto animais
calço seus couros e gesto o
grafo gastronômico, se cão
consumo, sem um corte,
a amplidão celeste, se céu
já não há mais a norte-sul, a
leste-oeste, na hora de comer/beber
cada bebê é uma multidão
4 – O lucro fácil
É couro, é carne, é cria
espalho espécimes, suicido
a flora, sacrifico seres, serpentes
em cada rei - E reino, rico, repetindo
a estratosfera, estragando estranhos
bichos da atmosfera, esturricando
a terra e congelando o leste
- Sou o dono da lei
5 – Conforto
Aqueço, esqueço, esfrio
aquiescente – a terra emerge
enérgica sem energia uma fração
de segundos seguindo a mata
e mato, queimo, querendo
quilogramas, desmato e mato
de novo a mata que em mim
não mata a solidão
6 – O urro da natureza
Filas frenéticas de filhos
ferindo a floresta – Amazônia
mau, solo sem solução incendeia
a selva, sauna o sêmen, sacrifica
o saco, sem fundo, suga os animais
e silva o silvo oxidando o
ócio objeto de uma natureza
que caiu pra trás
7 – Prostituição tecnológica
Dou-me devasso à devassidão
das divas defloradas
no meu carro híbrido navego,
negro, no meu sangue eólico, o
ético sistólico, o bicho milenar, a
fera industrial, o predador simbólico
que come carne, fruta, alma de gente
e energia solar
8 – Congressos do medo
Atomizo as atitudes, atiço as atas
das reuniões com óleo e nada feito
emito mortes das turbinas, gero
geradores de outras emissões e
nada feito nada faço se fazer confunde
as lâmpadas acesas, as crianças presas
às vastas vistas que não vêem
as vastidões
9 – O poeta tenta dormir
Com calma como coisas de carbono
hidrato as peles postas na poluição e
empurro o impacto da redução
da malha nuclear agricultável
dos habitantes de um planeta seco
e miserável onde uns jantam os outros
e falta ao mundo o oxigênio respeitável
de um coração
10 – Juízo final
Em Copenhague é noite, é noite
na varanda da galáxia e assam-se
sacis e sócios na sociedade do fogão,
no fogo eterno que se espalha de A a Z
o alfabeto da morte pára, para
a multidão engasgada de mortos
e de covardes ainda mais mortos
que conversam sobre morte no Planeta B
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
ORAÇÃO EGOÍSTA
JM Cunha Santos
Deus
JM Cunha Santos
Deus
De vós que fizestes
os belos e os feios
os tristes e os alegres
os felizes e infelizes
os atletas e os aleijados
Peço apenas
uma sobra de cal no jardim
De vós que fizestes
os sóbrios e os embriagados
os lúcidos e os loucos
os ricos e os pobres
os eufóricos e os dopados
Peço apenas
meio raio de luz nas consciências
De vós que fizestes
os estáticos e as bailarinas
os prisioneiros e os pássaros
os doentes e os saudáveis
os aventureiros e os entediados
Peço apenas
um trecho de azul
numa volta de paz
De vós que fizestes
os desconhecidos e os famosos
os acompanhados e os perdidos
os amantes e os perversos
os furiosos e os apaixonados
Peço apenas
um pedaço de sol
na porra da noite
Deus
De vós que a mim me fizestes só
Peço apenas o direito a uma solidão sozinha
que não seja a solidão de mais ninguém
domingo, 29 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Síndrome
JM Cunha Santos
JM Cunha Santos
A poesia acabou.
Estivadores sem paz
carregam o último fardo de poesia
a última sombra permitida de um cansaço
A poesia acabou;
Estão fazendo versos de flandre
estrofes de latas velhas, rimas de plástico
A poesia acabou
quando desferiram o primeiro tiro
quando a primeira alma foi cortada a faca
quando venceram a primeira guerra
a poesia acabou
quando o último homem matou o primeiro homem
quando a primeira criança provou sobras de nada
a poesia acabou
quando a primeira mulher forçou-se ao parto imposto
a poesia acabou
quando Pilatos lavou as mãos e a paciência
quando a cruz caiu das mãos de Jesus Cristo
a poesia acabou
e nunca mais se ouviu um gesto de ternura
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Eclipse
JM Cunha Santos
JM Cunha Santos
Deixa a manhã nascer, moça de ouro
deixa a manhã nascer que ela não é tua
se às noites comes minha carne crua
deixa a manhã nascer sobre teu couro
deixa que amanheça e desestrele
o que houver de brilho no espaço
não impede a manhã com teu cabaço
nunca prenda uma noite com tua pele
ou cumprirás as litanias de Satã
que Beaudelaire em surto deprimente
reuniu para espalhar sobre seu clã
não procureis, sabes ainda, ainda és sã
como é feroz, brutal, incandescente
um encontro a sós da noite com a manhã
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Descompasso
JM Cunha Santos
(A José Sarney)
Um brutamontes que mora no meu peito
qual um liburno que me desativa
não aceita que eu seja carne viva
e quer que eu seja apenas um suspeito
que eu não me mexa por não ter direito
à alegria humana, mesmo que passiva
que seja apenas carne corrosiva
ou um defunto a manquejar sem leito
Um brutamontes explode-me em poeta
fisgando tudo que tenho de artista
matando o advogado e o jornalista
o pai também, também o idealista
e eu acabo só, sentado numa pista
a ser um ser sem pontos nessa reta.
JM Cunha Santos
(A José Sarney)
Um brutamontes que mora no meu peito
qual um liburno que me desativa
não aceita que eu seja carne viva
e quer que eu seja apenas um suspeito
que eu não me mexa por não ter direito
à alegria humana, mesmo que passiva
que seja apenas carne corrosiva
ou um defunto a manquejar sem leito
Um brutamontes explode-me em poeta
fisgando tudo que tenho de artista
matando o advogado e o jornalista
o pai também, também o idealista
e eu acabo só, sentado numa pista
a ser um ser sem pontos nessa reta.
sábado, 7 de novembro de 2009
O SERESTEIRO NO PINHAL
JM Cunha Santos
(Do inédito “Livro feliz”)
O céu azul não passa por mim.
Nunca passa.
Cheio de passarinhos
me vergo à força do sol
e a moça de luz que não senta a meu lado
constrói-se em barco e espumas... e vai...
Tantas horas de desejos
e o céu fica lá, teimoso e findo
porque o vento, do vento sei, que me diz coisas
e machuca como neve a adormecer
e ela... ela se constrói de barcos e espumas... e vai
Todas as minhas peles doem
se estou com medo
nesse barco cheio de armadilhas
nessa amplidão que estreito nos braços
nessa vida que deixei matar
A vida que foge porque gaivotas suspiram
nessa terra onde não habitam gaivotas
e o meu querer poético se desmancha
nesta nave ao futuro carregada de paixões
Nunca fui onde estou indo
nunca fui quem estou sendo
nunca voltei de onde estou vindo
mas sei que a mancha de amor no peito
que desespera e eu convido
não será eterna se ela enxergue
alguma outra coisa alem do ar.
Mas ela...
ela só se constrói de barco e espumas
... e não vem ...
Vai.
JM Cunha Santos
(Do inédito “Livro feliz”)
O céu azul não passa por mim.
Nunca passa.
Cheio de passarinhos
me vergo à força do sol
e a moça de luz que não senta a meu lado
constrói-se em barco e espumas... e vai...
Tantas horas de desejos
e o céu fica lá, teimoso e findo
porque o vento, do vento sei, que me diz coisas
e machuca como neve a adormecer
e ela... ela se constrói de barcos e espumas... e vai
Todas as minhas peles doem
se estou com medo
nesse barco cheio de armadilhas
nessa amplidão que estreito nos braços
nessa vida que deixei matar
A vida que foge porque gaivotas suspiram
nessa terra onde não habitam gaivotas
e o meu querer poético se desmancha
nesta nave ao futuro carregada de paixões
Nunca fui onde estou indo
nunca fui quem estou sendo
nunca voltei de onde estou vindo
mas sei que a mancha de amor no peito
que desespera e eu convido
não será eterna se ela enxergue
alguma outra coisa alem do ar.
Mas ela...
ela só se constrói de barco e espumas
... e não vem ...
Vai.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
War
JM Cunha Santos
JM Cunha Santos
Eu quis ser poeta
Por questões de saúde pública
eu quis ser poeta
Não quis ser advogado porque não obedeço leis
E por causa desse chamego escroto com as estrelas
Não quis ser jornalista
Porque não estou interessado em mundos
E menos ainda no que neles acontecem
Eu quis ser poeta
Para que as pessoas não pegassem fogo
e não escorresse petróleo de suas carnes
Eu quis ser poeta
Pelo direito de vigiar jardins
e para trocar minhas válvulas
quando e onde bem entendesse
Eu quis ser poeta
Eu não quis ser presidente
nem candidato a pastor de criminosos
Eu quis ser poeta e poeta o sou
dentro dos olhos fulminantes
do soldado raso que dispara contra mim
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Poesia:
EXCESSOS DO AMOR NÃO CONQUISTADO
JM Cunha Santos
Passe uma tarde no meu corpo
que já cansa espalhar minha ausência
que me fere não estragar a tua essência
e fazer de nossos corpos um só corpo
Passe uma única manhã sobre meus restos
se misture a esse pouco que sobrou de mim
deixa que eu atrapalhe os teus gestos
descasque o meu prazer até o fim
Passe uma noite em minha alma
sujeite-se, profunda, ao meu furor
não se permita a paz, solte essa calma
seja o que eu quiser mesmo que a dor
Se torne madrugada, ou sol caindo
esqueça-se só carne no meu corpo vil
se engravidares, moça, faça-o sorrindo
de amar e saciar um corpo que não viu
EXCESSOS DO AMOR NÃO CONQUISTADO
JM Cunha Santos
Passe uma tarde no meu corpo
que já cansa espalhar minha ausência
que me fere não estragar a tua essência
e fazer de nossos corpos um só corpo
Passe uma única manhã sobre meus restos
se misture a esse pouco que sobrou de mim
deixa que eu atrapalhe os teus gestos
descasque o meu prazer até o fim
Passe uma noite em minha alma
sujeite-se, profunda, ao meu furor
não se permita a paz, solte essa calma
seja o que eu quiser mesmo que a dor
Se torne madrugada, ou sol caindo
esqueça-se só carne no meu corpo vil
se engravidares, moça, faça-o sorrindo
de amar e saciar um corpo que não viu
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Poesia:
Motel
JM Cunha Santos
o mênstruo da aurora em tom vermelho
Motel
JM Cunha Santos
o mênstruo da aurora em tom vermelho
repete-me abatido na vidraça
minha imagem em dó, ré, mi, coalha no espelho
o sol, lavando o resto, vê e passa
é a manhã, rebento do meu sono, afoito
me mudo para a lâmpada que, acesa,
crava minha sombra sobre a mesa
caneta e eu, poema, eterno coito
saudades dela em mim como estrias
na pele. E como é dura removê-Ias
devassos nós dormimos quando é dia
que às noites, como cães lassos de orgia
se ela faz suruba com as estrelas
eu vivo em coito anal com a poesia
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Poesia:
Cascas
JM Cunha Santos
Teresa e Sandra
usavam a mesma boca
na hora do amor
o mesmo sêmen
o mesmo sangue
a mesma vagina
e a mesma virgindade
Teresa se pendurava em fachos de luz
Sandra gostava de dólares
Ambas consumiam homens
e carne moída
mulheres e algodão doce
Teresa nasceu de madrugada
Sandra não nasceu.
Não nasceu nunca.
Caiu de um ferimento
Cascas
JM Cunha Santos
Teresa e Sandra
usavam a mesma boca
na hora do amor
o mesmo sêmen
o mesmo sangue
a mesma vagina
e a mesma virgindade
Teresa se pendurava em fachos de luz
Sandra gostava de dólares
Ambas consumiam homens
e carne moída
mulheres e algodão doce
Teresa nasceu de madrugada
Sandra não nasceu.
Não nasceu nunca.
Caiu de um ferimento
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Psicose
(Ao Dr. Rui Palhano
Ao Dr. Geraldo Melônio)
Doutor, não examine a minha carne
não faça nela ultra-sonografias
não infrinja tomografias computadorizadas
Nada há em minha carne que já não seja passado
ou tenha sido testado, examinado, curado
Não há em minha carne um único lugar
onde caiba uma nova dor
Antes, Dr.,
examine a minha alma.
É onde estão as doenças desconhecidas
os males incuráveis
é onde residem os germes não descobertos
as viroses violentas, as bactérias alienígenas
as doenças venéreas do coração
É nela Dr. na minha alma,
exatamente dentro dela,
que a poesia insiste em sobreviver
(Ao Dr. Rui Palhano
Ao Dr. Geraldo Melônio)
Doutor, não examine a minha carne
não faça nela ultra-sonografias
não infrinja tomografias computadorizadas
Nada há em minha carne que já não seja passado
ou tenha sido testado, examinado, curado
Não há em minha carne um único lugar
onde caiba uma nova dor
Antes, Dr.,
examine a minha alma.
É onde estão as doenças desconhecidas
os males incuráveis
é onde residem os germes não descobertos
as viroses violentas, as bactérias alienígenas
as doenças venéreas do coração
É nela Dr. na minha alma,
exatamente dentro dela,
que a poesia insiste em sobreviver
sábado, 26 de setembro de 2009
Poesia - Pacto de Varsovia (Cunha Santos)
Cunha Santos
Pacto de Varsóvia
Meu coração ofendido de paz
sempre viveu entre Deus e comunistas
algumas vezes orava, em outras era Caifás
em outras se misturava com os monistas
O homem de roupa preta – eterno luto do Brasil
o violão que eu mascava no Tirirical
a amiga que nunca me deu, dando a mil
e uma galinha estuprada no quintal
E tu, filha, a velocidade com que cresces
entre as guerras na TV, que não mereces
e teu simbiótico pai – o teu castigo
Oh maldito anjo bom que não apareces
os comunistas venderam suas armas e suas preces
e Deus, cansado de Paz, não se importa comigo
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