SILÊNCIO EM COPENHAGUE
(Uma homenagem do poeta JM Cunha Santos a todos os leitores que acompanharam a coluna no decorrer deste ano, como compromisso pela existência de um mundo melhor de viver para todos, a partir da construção de um novo homem. Feliz Natal e Próspero Ano Novo)
JM Cunha Santos
1 – Condenados
Eu respiro o que respira
o resto da humanidade rente
ao CLIMA de superlotação, retenho
gases, sumo, silente sacerdote
da celeste pira – é fogo!
queimo o planeta e pago
despesas de horror
em podridão
2 – Minha máxima culpa
Eu puno ursos, pássaros, penso
peixes, planotestes, pago pedágio
do ar piso na constelação
fumo falências, faço fomes,
passo, pleno, pela dor das pestes
irrito Deus, aguo a água, agito
os brônquios – ó visão celeste! –
de um planeta que me cai
da mão
3 – Explosão demográfica
Reviro o mar, visto animais
calço seus couros e gesto o
grafo gastronômico, se cão
consumo, sem um corte,
a amplidão celeste, se céu
já não há mais a norte-sul, a
leste-oeste, na hora de comer/beber
cada bebê é uma multidão
4 – O lucro fácil
É couro, é carne, é cria
espalho espécimes, suicido
a flora, sacrifico seres, serpentes
em cada rei - E reino, rico, repetindo
a estratosfera, estragando estranhos
bichos da atmosfera, esturricando
a terra e congelando o leste
- Sou o dono da lei
5 – Conforto
Aqueço, esqueço, esfrio
aquiescente – a terra emerge
enérgica sem energia uma fração
de segundos seguindo a mata
e mato, queimo, querendo
quilogramas, desmato e mato
de novo a mata que em mim
não mata a solidão
6 – O urro da natureza
Filas frenéticas de filhos
ferindo a floresta – Amazônia
mau, solo sem solução incendeia
a selva, sauna o sêmen, sacrifica
o saco, sem fundo, suga os animais
e silva o silvo oxidando o
ócio objeto de uma natureza
que caiu pra trás
7 – Prostituição tecnológica
Dou-me devasso à devassidão
das divas defloradas
no meu carro híbrido navego,
negro, no meu sangue eólico, o
ético sistólico, o bicho milenar, a
fera industrial, o predador simbólico
que come carne, fruta, alma de gente
e energia solar
8 – Congressos do medo
Atomizo as atitudes, atiço as atas
das reuniões com óleo e nada feito
emito mortes das turbinas, gero
geradores de outras emissões e
nada feito nada faço se fazer confunde
as lâmpadas acesas, as crianças presas
às vastas vistas que não vêem
as vastidões
9 – O poeta tenta dormir
Com calma como coisas de carbono
hidrato as peles postas na poluição e
empurro o impacto da redução
da malha nuclear agricultável
dos habitantes de um planeta seco
e miserável onde uns jantam os outros
e falta ao mundo o oxigênio respeitável
de um coração
10 – Juízo final
Em Copenhague é noite, é noite
na varanda da galáxia e assam-se
sacis e sócios na sociedade do fogão,
no fogo eterno que se espalha de A a Z
o alfabeto da morte pára, para
a multidão engasgada de mortos
e de covardes ainda mais mortos
que conversam sobre morte no Planeta B

Absolutamente PERFEITO.
ResponderExcluirMais um pouco diria uma Elegia...
Gosto dos teus poemas!