Política e coragem
Dia da imprensa, dias de censura
Não há melhor maneira de comemorar o Dia da Imprensa no Brasil (1 de junho) que condenar a censura que ocorreu praticamente em todo o período posterior à colonização e chegou a nossos dias.
A censura é permanente, extenuante e muitas vezes curiosa neste país. A coroa portuguesa, por exemplo, possuía uma listagem de obras que não podiam circular em seu território e nunca nos territórios de suas colônias, principalmente as de teor iluminista ou que criticassem a Igreja Católica e a monarquia absolutista.
Na monarquia, censuravam principalmente as manifestações abolicionistas ou outras que pregassem a independência do Brasil.
Uma história curiosa e hilária é a do Barão de Itararé, Aparício, que após mais de 5 anos de sátiras à sociedade e à política foi seqüestrado e espancado por militares jamais conhecidos. O Barão, quando pode voltar a seu escritório, escreveu na porta: “entre sem bater”.
Na vigência do AI-5, qualquer veículo de comunicação devia ter a sua pauta previamente aprovada e sujeita a inspeção por agentes do governo. Para protestar contra a censura prévia, os jornalistas deixavam trechos inteiros de suas matérias em branco ou substituíam por receitas culinárias estranhas. A censura, então, visava manter a imagem de uma estabilidade política e de uma Nação que prosperava. A maioria dos arquivos do período militar permanecem inacessíveis até hoje, os que não foram destruídos.
Nesse período, escritores, jornalistas e compositores apelavam à Justiça para garantir a publicação de suas obras ou escritos. Hoje, com uma constância assustadora, a Justiça costuma patrocinar a censura prévia, proibindo a divulgação do que a sociedade considera crime ou pecado dos poderosos. A interminável censura ao jornal “O Estado de São Paulo”, requerida judicialmente por Fernando Sarney é o último exemplo de repressão escancarada a um órgão de imprensa no Brasil.
A censura no regime democrático acontece também através do poder econômico, de processos e ameaças de processos contra jornais e jornalistas e até de ameaças de morte. E não atinge apenas jornais, emissoras de rádio e televisão. Já chegou aos sites, aos blogs e a todas as formas de expressão escritas, faladas ou comentadas. O problema com a censura é que ela se esgota em si mesma, pois jamais o estado ou grupo de poder conseguiu controlar ou impedir a liberdade de expressão.

Censura a blog que satirizava a Folha gera reação na web
ResponderExcluirFelipe Corazza
7 de outubro de 2010 às 10:07h
Blogueiros começam o movimento “censura eu, Folha” contra medida que fechou o site Falha de São Paulo
A ideia dos irmãos Lino e Mario Bocchini era satirizar a cobertura que o jornal Folha de S.Paulo tem feito das eleições presidenciais. Acabou na Justiça. A criação do site “Falha de São Paulo”, com montagens de capas do jornal e outras sátiras, rendeu um processo movido pelos advogados da Folha.
“Fizemos, por exemplo, uma montagem de Otavinho Frias de Darth Vader”, diz Lino. “A Folha, o maior jornal do país, colocou um enorme escritório de advocacia para abrir um processo de mais de 80 páginas e censurar um pequeno blog”, continua o idealizador da paródia.
Sob a pena de multa diária de 1 mil reais caso o blog continuasse no ar, os donos resolveram encerrar as atividades. A reação de outros blogueiros célebres foi praticamente imediata. O Boteco Sujo, blog do jornalista Fausto Salvadori Filho, criou o movimento “Censura eu, Folha”. Já que o Falha de São Paulo foi proibido, a ideia é veicular as imagens que precisaram ser tiradas do ar em outros blogs. “A Folha vai ter muito trabalho se quiser censurar a internet”.
A propósito da censura, mais Lino Bocchini: “não somos uma empresa, não somos filiados a partido político, não temos ninguém “por trás”. Nem temos advogado ainda. Somos dois irmãos que acham o jornalismo que a Folha faz é partidarizado (e ruim). E gostaríamos de criticar isso com humor, mas fomos impedidos de forma violenta.”
Mostrando que a teoria de Salvadori Filho procede, Um outro endereço, o http://falhadespaulo.tumblr.com, reúne o conteúdo integral do Falha.