quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Consciência negra

JM Cunha Santos

O navio. Os negros vêm de navio, faltando couro, lascas de pele, agrilhoados, sufocados, desidratados, pedindo permissão para existir. O navio mata, esfola o corpo, esfola a dignidade, corta a bala a resistência à escravidão. Figuras sangrentas, avaliadas pelos dentes, como cavalos, anoitecidas, transportadas, chicoteadas, sem continente, sem país, sem cidade, sem bairro, sem estradas para fugir.
Estou comemorando o século da consciência negra, o ano da raça consumida, o mês da maldade humana, a semana da humilhação, o dia da dor. “É gente. Estão vendendo gente e eu preciso comprar alguma, nem que seja a prestação, ou no cartão de crédito, pela internet, para limpar meus sapatos, para me cobrir de riquezas, servir meus filhos, lavrar minhas terras, para me fazer importante, para lavar meu título de barão”.
O negro e o navio. O navio e o negro. Velas do tempo na minha sala. Não há vagas, nunca houve, a não ser no pelourinho, nas senzalas, no poço sem fundo, no coração do mateiro, na alma do feitor. “Estrangeiro aqui como em toda parte”. (Fernando Pessoa) Estrangeiro ontem, estrangeiro hoje, estrangeiro sempre e amanhã. Não há vagas nas Universidades, não há vagas nos hospitais; há, porém, vagas de sobra nas prisões.
Por que desde 1594 esse navio continua chegando? O que foi feito de Zumbi, o dos Palmares, onde ele mora, como vive, em quem atira, com quem ri? Parem o navio. Navios não podem ser eternos como o mar e como a dor. Afinal, nem sabemos que século é este, se XVI, XVII ou XXI. Nem sabemos se ainda vão descobrir o Brasil ou se depois desse navio continuará existindo a liberdade. E, no final, os heróis continuarão todos sendo brancos, todos europeus, navegadores, bandeirantes, príncipes e princesas, imperadores de um século que não vinha e donos de um navio horrível que, passados tantos séculos, insiste em navegar.

4 comentários:

  1. Caro cunha santos.

    Eu não sou chegado a achismo, penso mesmo é que esta data não deveria existir, pois aconsciencia do negor é tão ou melhor do que a de muitos brancos, sendo assim este dia da consciencia negra continua discriminando o negro(RAÇA) e formando guetos que se amilham diante das cotas, políticas afirmativas, políticas soiciais nefasta que visamatravés destas lógicas perversas deixar os negros, os brancos pobres, os pardos enfim todos que se deixam levar por estas formas de governar, damdo aos ditos minorias pseudoas melhorias que só serve3m de mecanismo de polítca RASTEIRA e eleitoreira, pois essas coisas são como asparadas gueys, é só manobra eleitoreira, sendo que seeu spou guey eu não preciso depassarpelo ridículo demontar numa dragqueen, para lutar por direitosesimexigirrespeito dentro dos parametros que nãome levem ao ridículoincentvado pelos politiqueros como marta relax e goza eoutros, sou guy e ai quem tem algumacoisa ver como munha condiçao deguey, so a Deus devo minha cida, é preciso que os movimentos sociais que lutampor estas causas não se apequenem diante de tão sérias doutrinas e filosofias, é preciso saber que a África é também o EGITO, a Líbia, enfim é preciso saber que o bob marley era fã incondicional de um dos maiores tiranos do continente africando de Sealasie, dos rastafaris uma tribo que matava aos montes nas lutsaspelopoder entre as tribo, incusive de jáh mé.

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  2. Caro cunha santos.

    Nós os negros temos que exigir sim: escolas públicas de alto nível, ensino de boa qualidade, e uma boa dose de vergonha na cara dos governantes, enfim devmos lembrar que lá atrás no advento do fim da política esgravagista, nos os negros fomos libertos só de forada sezalaprá rua sem umplanejamemto, onde já saossemos comuma definição agrrária, um pedaço detra epolítica de educação saudem e que tudo,isto foi deixado de lado pelos pulhas polítcos da épocasendo assim o erro se repete e nós ainda estamosdormindo em berço explendido.

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