Editorial
JP ,30 de janeiro
Podemos
lembrar que nos mais graves instantes da vida brasileira os estudantes
intervieram, quando não foram para o sacrifício, empunhando a bandeira da
liberdade. Os estudantes estavam na linha de frente de todas as crises
institucionais brasileiras, enfrentando os fuzis e cassetetes do poder público,
expondo-se à violência oficial em praça pública, lutando de corpo aberto pela
democracia.
E
se não foi assim somente no Brasil, temos aqui exemplos vários e históricos que
a meio caminho de uma luta desigual arrancaram esta Nação das mãos da tirania e
da demagogia. E, historicamente também, a greve dos estudantes de 1979 em São
Luís representou o primeiro enfrentamento popular em campo aberto contra forças
da ditadura militar. Porque jovens em sua maioria, porque ciosos de
conhecimento e justiça, quase sempre são os estudantes na vanguarda de todos os
protestos quando as instituições apodrecem nas mãos dos donatários do poder.
Outros
exemplos são a passeata dos 100 mil, as concentrações públicas por eleições
diretas que dignificam o movimento estudantil. A História, inclusive, tem sido
injusta com esses heróis que sangram em praça pública sempre que o país está
sob ameaça de intervenção de forças antidemocráticas. É assim o coração dos
estudantes: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
É,
por estas e outras razões, lamentável a denúncia feita pela União da Juventude
Socialista de que o governo do Estado de alguma forma está intervindo nas
eleições dos grêmios estudantis, inclusive com investimentos financeiros e
abuso de poder político, implodindo o processo eleitoral quando percebe que
vencerá uma chapa que não se afina com a política do governo. E eles citam os
exemplos do Centro de Ensino da Cohab e do Centro de Ensino Margarida Leal, na
Alemanha,
A
nota da UJS, assinada pelo diretor de Comunicação, Lúcio Bonavigo, publicada no
blog do jornalista John Cutrim, acusa as secretarias de Educação e de Juventude
do governo Roseana de manobrar os grêmios estudantis como forma de calar a voz
dos estudantes nas reivindicações pela melhoria da qualidade de ensino. O
secretário de Educação, deputado Pedro Fernandes, além de repudiar as
insinuações de que estaria interferindo nas eleições para os grêmios
estudantis, promete apurar os fatos.
A
ser verdade o que denuncia a UJS estamos diante não apenas de uma ação política
deprimente, mas de um ato de covardia contra a livre organização da classe
estudantil e da juventude. Se vamos ter que lidar com dinheiro de governo
fuçando eleição de grêmio estudantil, ultrapassamos todos os limites da
politicalha e da avacalhação pública. E não há como não nos vir à lembrança o
triste episódio de estudantes subsidiados atacando o lançamento do livro
“Honoráveis Bandidos”, em solenidade que contou com a presença do falecido
ex-governador Jackson Lago.
E
que a classe política se manifeste, pois nem é possível adjetivar isso como
comportamento de governo.
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