quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Coração de estudante

Editorial JP ,30 de janeiro

Podemos lembrar que nos mais graves instantes da vida brasileira os estudantes intervieram, quando não foram para o sacrifício, empunhando a bandeira da liberdade. Os estudantes estavam na linha de frente de todas as crises institucionais brasileiras, enfrentando os fuzis e cassetetes do poder público, expondo-se à violência oficial em praça pública, lutando de corpo aberto pela democracia.
E se não foi assim somente no Brasil, temos aqui exemplos vários e históricos que a meio caminho de uma luta desigual arrancaram esta Nação das mãos da tirania e da demagogia. E, historicamente também, a greve dos estudantes de 1979 em São Luís representou o primeiro enfrentamento popular em campo aberto contra forças da ditadura militar. Porque jovens em sua maioria, porque ciosos de conhecimento e justiça, quase sempre são os estudantes na vanguarda de todos os protestos quando as instituições apodrecem nas mãos dos donatários do poder.
Outros exemplos são a passeata dos 100 mil, as concentrações públicas por eleições diretas que dignificam o movimento estudantil. A História, inclusive, tem sido injusta com esses heróis que sangram em praça pública sempre que o país está sob ameaça de intervenção de forças antidemocráticas. É assim o coração dos estudantes: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
É, por estas e outras razões, lamentável a denúncia feita pela União da Juventude Socialista de que o governo do Estado de alguma forma está intervindo nas eleições dos grêmios estudantis, inclusive com investimentos financeiros e abuso de poder político, implodindo o processo eleitoral quando percebe que vencerá uma chapa que não se afina com a política do governo. E eles citam os exemplos do Centro de Ensino da Cohab e do Centro de Ensino Margarida Leal, na Alemanha,
A nota da UJS, assinada pelo diretor de Comunicação, Lúcio Bonavigo, publicada no blog do jornalista John Cutrim, acusa as secretarias de Educação e de Juventude do governo Roseana de manobrar os grêmios estudantis como forma de calar a voz dos estudantes nas reivindicações pela melhoria da qualidade de ensino. O secretário de Educação, deputado Pedro Fernandes, além de repudiar as insinuações de que estaria interferindo nas eleições para os grêmios estudantis, promete apurar os fatos.
A ser verdade o que denuncia a UJS estamos diante não apenas de uma ação política deprimente, mas de um ato de covardia contra a livre organização da classe estudantil e da juventude. Se vamos ter que lidar com dinheiro de governo fuçando eleição de grêmio estudantil, ultrapassamos todos os limites da politicalha e da avacalhação pública. E não há como não nos vir à lembrança o triste episódio de estudantes subsidiados atacando o lançamento do livro “Honoráveis Bandidos”, em solenidade que contou com a presença do falecido ex-governador Jackson Lago.
E que a classe política se manifeste, pois nem é possível adjetivar isso como comportamento de governo.

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