Editorial
JP, 25 de junho
O
sentimento do povo brasileiro veio às ruas numa enxurrada incontrolável de
civilidade e decepção, contra um modelo político que privilegiou a corrupção e
esqueceu a eficiência e a melhor gestão dos serviços públicos. Vimos Renan
Calheiros voltar à Presidência do Senado, anotamos dezenas, centenas de
escândalos financeiros, vimos jorrar pelo esgoto bilhões em recursos públicos,
soubemos de superfaturamentos, de obras fantasmas, de corrupção eleitoral e
associações fantasmas engolindo os recursos da Nação.
Ao
mesmo tempo, cenas cruéis de doentes e mulheres grávidas voltando das portas
dos hospitais, o eterno dilema da mobilidade urbana, ônibus velhos e quebrados,
passagens a preços extorsivos e a criminalidade crescendo a níveis
insuportáveis porque cruel, o Estado prefere administrar eleições a garantir a
segurança pública, prefere repartir Ministérios e Secretarias como bolo de puba
entre partidos políticos que gerenciar de forma eficiente a saúde e a educação.
Cenas
de um Brasil que se atolou na mais corrupta forma de financiamento de campanha;
essa na qual os eleitos se tornam reféns de lobistas, banqueiros e empresários
sem escrúpulos. E o inconformismo que vem das dificuldades do dia a dia, da
fome, da doença sem atendimento, da educação cara e sem propósitos, o
inconformismo de quem trabalha para pagar a maior cartela de impostos do mundo,
cresceu como uma bolha e explodiu quando a juventude percebeu que estava indo e
vindo para futuro nenhum.
Sem
saber, jovens e adolescentes ligados pela aventura das novas tecnologias, pelo
poder emergente das redes sociais, acenderam o estopim de uma exigência que se
esconde por trás de todas as reivindicações: a necessidade imperiosa de uma
reforma política que coloque esse país nos eixos, que ponha fim ás negociatas
com o dinheiro da Nação. E a sociedade está nas ruas para exigir que 10% do PIB
sejam investidos em saúde, outros 10% em educação, nesses dias em que grande
parte dos recursos do país é aplicada na compra de cabos eleitorais, de
prefeitos e vice-prefeitos, de vereadores e deputados, presidentes de
associações, de clubes de pais e clubes de mães, a cada dois anos das eleições.
Lamentavelmente,
precisamos dizer que já hora de organizar a espontaneidade desse movimento. O
país não pode permanecer indefinidamente nas ruas, mas deve estar preparado
para voltar à cidadela dos protestos sempre que for preciso. Eles já ouviram e
acreditamos que depois do que aconteceu nesses dias, os governantes não mais
terão coragem nem meios para enganar o povo de forma tão mesquinha, que a
Justiça já não será tão condescendente com a corrupção e que as Assembléias
Legislativas retomarão para si a função perdida de fiscalizar os atos do Poder
Executivo.
Multidões
nas ruas, sem líderes, sem orientação, sem coordenação, em embate constante com
a força pública, é o que pode haver de mais perigoso, inclusive para a
manutenção da normalidade democrática. Mas sabem agora os gestores públicos que
não podem mais roubar impunemente, nem sacrificar os direitos pagos com suor e
lágrima pelo povo à hegemonia de um ou dois partidos no poder.
É isso aí!
ResponderExcluirCabeças tem que rolar, só assim com o sacrifício de muitos as coisa tomam outros rumos, tudo tem limites e nada é para sempre. Quando pegarem esses politicos safados e começar a degola ou então empalharem uma centenas deles, ai então, eles criaram vergonha na cara. O sangue desses miserável não valem um gota do sangue do Povo. Todo forma de luta para beneficiar o coletivo é válido, mesmo que possa corre um rio de sangue destes politicos corruptos e ladrões.
ResponderExcluirAvante Povo brasileiro a hora é esta, pau nos politicos, vamos arrebentar com essa corja, ou eles mudam ou o povo faz a mudança, por bem ou por mau. Assim será...