terça-feira, 25 de junho de 2013

Da ineficiência e crueldade do Estado

Editorial JP, 25 de junho

O sentimento do povo brasileiro veio às ruas numa enxurrada incontrolável de civilidade e decepção, contra um modelo político que privilegiou a corrupção e esqueceu a eficiência e a melhor gestão dos serviços públicos. Vimos Renan Calheiros voltar à Presidência do Senado, anotamos dezenas, centenas de escândalos financeiros, vimos jorrar pelo esgoto bilhões em recursos públicos, soubemos de superfaturamentos, de obras fantasmas, de corrupção eleitoral e associações fantasmas engolindo os recursos da Nação.
Ao mesmo tempo, cenas cruéis de doentes e mulheres grávidas voltando das portas dos hospitais, o eterno dilema da mobilidade urbana, ônibus velhos e quebrados, passagens a preços extorsivos e a criminalidade crescendo a níveis insuportáveis porque cruel, o Estado prefere administrar eleições a garantir a segurança pública, prefere repartir Ministérios e Secretarias como bolo de puba entre partidos políticos que gerenciar de forma eficiente a saúde e a educação.
Cenas de um Brasil que se atolou na mais corrupta forma de financiamento de campanha; essa na qual os eleitos se tornam reféns de lobistas, banqueiros e empresários sem escrúpulos. E o inconformismo que vem das dificuldades do dia a dia, da fome, da doença sem atendimento, da educação cara e sem propósitos, o inconformismo de quem trabalha para pagar a maior cartela de impostos do mundo, cresceu como uma bolha e explodiu quando a juventude percebeu que estava indo e vindo para futuro nenhum.
Sem saber, jovens e adolescentes ligados pela aventura das novas tecnologias, pelo poder emergente das redes sociais, acenderam o estopim de uma exigência que se esconde por trás de todas as reivindicações: a necessidade imperiosa de uma reforma política que coloque esse país nos eixos, que ponha fim ás negociatas com o dinheiro da Nação. E a sociedade está nas ruas para exigir que 10% do PIB sejam investidos em saúde, outros 10% em educação, nesses dias em que grande parte dos recursos do país é aplicada na compra de cabos eleitorais, de prefeitos e vice-prefeitos, de vereadores e deputados, presidentes de associações, de clubes de pais e clubes de mães, a cada dois anos das eleições.
Lamentavelmente, precisamos dizer que já hora de organizar a espontaneidade desse movimento. O país não pode permanecer indefinidamente nas ruas, mas deve estar preparado para voltar à cidadela dos protestos sempre que for preciso. Eles já ouviram e acreditamos que depois do que aconteceu nesses dias, os governantes não mais terão coragem nem meios para enganar o povo de forma tão mesquinha, que a Justiça já não será tão condescendente com a corrupção e que as Assembléias Legislativas retomarão para si a função perdida de fiscalizar os atos do Poder Executivo.
Multidões nas ruas, sem líderes, sem orientação, sem coordenação, em embate constante com a força pública, é o que pode haver de mais perigoso, inclusive para a manutenção da normalidade democrática. Mas sabem agora os gestores públicos que não podem mais roubar impunemente, nem sacrificar os direitos pagos com suor e lágrima pelo povo à hegemonia de um ou dois partidos no poder.

2 comentários:

  1. Cabeças tem que rolar, só assim com o sacrifício de muitos as coisa tomam outros rumos, tudo tem limites e nada é para sempre. Quando pegarem esses politicos safados e começar a degola ou então empalharem uma centenas deles, ai então, eles criaram vergonha na cara. O sangue desses miserável não valem um gota do sangue do Povo. Todo forma de luta para beneficiar o coletivo é válido, mesmo que possa corre um rio de sangue destes politicos corruptos e ladrões.
    Avante Povo brasileiro a hora é esta, pau nos politicos, vamos arrebentar com essa corja, ou eles mudam ou o povo faz a mudança, por bem ou por mau. Assim será...

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