Editorial
JP, 15 de novembro
Existem,
ainda, 10 milhões de miseráveis no Brasil, segundo divulgou o Instituto de
Pesquisa Econômica e Aplicada. E a vontade é confrontar esse número com o
brutal esquema de corrupção que garfou da Petrobrás algo em torno de 10 bilhões
de reais. Querem, alguns, que o povo se conforme com isso e outros defendem que
se mantenham as alianças políticas com o governo e os partidos que provocaram
tamanha sangria nos cofres da Nação.
A
todo dia surgem nomes novos e ontem mesmo a Polícia Federal cumpriu 85 mandados
de busca apreensão e prisão em 5 estados. As prisões, em geral, são temporárias
ou preventivas, ou seja, com data marcada para que se esvaziem as cadeias. E os
nomes dos principais que se apropriaram de tão astronômica quantia nem podem
ser divulgados. Nem se quer temos o direito de conhecer a fundo a real
situação, hoje, da Petrobrás. Mas sabemos de cor os efeitos da indigência, da
miséria, sobre as famílias dos 10 milhões de miseráveis que no Brasil vagam nos
lixeiros, sem alimento, educação, saúde, emprego, nenhum dos mínimos para que
alguém se sinta, de fato, um ser humano.
A
contar-se tanto dinheiro em leite para as crianças, em cestas básicas, somado
aos outros bilhões da incalculável sangria que promovem nos cofres públicos e o
mais provável é que não haveria mais miséria, nem fome, nem falta de saúde e
educação. O tamanho desse crime só pode ser medido em violência, insegurança e
no desespero de uma juventude que, entregue às drogas e ao tráfico, se mata em
praça pública. Não podemos compactuar com isso, se os únicos inocentes dessa
história mal têm o que comer e morrem em macas nos corredores dos hospitais e
talvez nunca aprendam a ler.
Só
se pode chamar isso de chacina programada, pois o horror de quem assiste um
filho disputando sobras com os urubus nos lixões das capitais do país, para que
alguns se refestelem em mansões de mármore, tangidos pela mais incompreensível
ganância, é apenas isso: um horror.
Apesar
das prisões, do ritmo frenético das investigações e da determinação da Justiça
Federal, é impossível não perceber a tendência da sociedade brasileira em ser
complacente com esse tipo de crime. Mas é revoltante ver que 10 milhões de
almas humanas no Brasil vivem na mais absoluta miséria quando sabemos que
existem recursos no país para salvá-los a todos de uma vez.
Existe
na Justiça brasileira todo tipo de recurso para garantir a impunidade. E,
embora nos lave a alma ver esses “ali babás” engravatados sendo conduzidos para
a prisão, é certo que eles não vão ficar muito tempo por lá. Os 10 milhões de
miseráveis encontrados pelo IBGE, no entanto, vão continuar aqui, com fome e
talvez para sempre.

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