domingo, 16 de novembro de 2014

O terceiro turno

Se Dilma diz que o escândalo da Petrobrás muda para sempre o Brasil, é melhor que mude logo, antes que multidões revoltadas e indignadas iniciem um processo irreversível de desobediência civil.

JM Cunha Santos

 
O escândalo da Petrobrás, além de configurar-se na mais imoral e monumental corrupção organizada da história do Brasil, é uma bomba suja, de efeito retardado, uma descarga elétrica de milhões de volts sobre os governos Lula e Dilma Roussef. Nem se deve duvidar de que esse escândalo, apurados os crimes de toda a confraria, esteja encaminhando o país para um terceiro turno das eleições.
O esforço do ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, em condenar os que pretendem se aproveitar do Petrolão para instituir no processo eleitoral de 2014 um terceiro turno, soa inútil à luz do que acontece, hoje, no Brasil. O terceiro turno é possível e previsível porque a população descobre que Lula e Dilma não merecem governar o país. Contratos cartelizados que somam 59 bilhões de reais, sob as fuças, a omissão e comissão de dois governantes, com empreiteiras cuja idoneidade patina no lodaçal do suborno compulsivo, se resumem nas mais tristes notícias lidas, vistas e ouvidas pelos brasileiros em toda sua história.
O terceiro turno já está acontecendo, e não apenas para prender, cassar mandatos e direitos políticos, mas também para criar instrumentos que libertem o Brasil de organizações criminosas que seviciam as instituições públicas e cujos chefes são representantes do povo e executivos bilionários pagos a peso de ouro com o dinheiro do contribuinte. Se Dilma diz que o escândalo da Petrobrás muda para sempre o Brasil, é melhor que mude logo, antes que multidões revoltadas e indignadas iniciem um processo irreversível de desobediência civil e o governo seja obrigado a lançar mão de forças militares contra a população.
O terceiro turno é o turno do povo sitiado pela corrupção, pela improbidade que permitiu a existência de organizações criminosas comendo em hotéis de luxo a maior carga tributária paga no mundo, essa que paga o povo brasileiro. O terceiro turno está na televisão, no rádio, em todas as redes sociais diante dos olhos incrédulos de uma população que está sendo assaltada, dia e noite, na maioria das prefeituras e paços governamentais e, principalmente, a partir do governo federal.
Não há doutor José Eduardo Cardozo, doutor Lula, doutora Dilma, como evitar o terceiro turno. Ele já está acontecendo e vai continuar a acontecer. E o melhor que podem fazer todos os que permitiram e contribuíram para tão gosmenta canalhice é renunciar. Antes que seja tarde para o Brasil.

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