Editorial
JP, 9 de dezembro
Na
busca de uma imagem menos violentada, o Maranhão precisará reescrever sua
história. O Palácio dos Leões, a cada um destes tantos anos, se redistribuiu em
palacetes da desonra nos quais quase todas as obras eram primas da
desonestidade. Aqui, o dinheiro do contribuinte desceu por muitos bueiros, mas
se grudou em apenas alguns poucos bolsos e gravatas.
A
confusão entre o patrimônio público e o privado afastou investidores, engessou
empreendedores tolhidos pela bandalheira das comissões (de 20 a 30 %) cobradas
a cada gesto governamental. A cinqüentenária sangria dos cofres públicos pagou
eleições e distribuiu miséria, seccionou a educação e desaparelhou o Sistema de
Segurança Pública.
Investimentos
bilionários, como o da Refinaria Premium, viraram pó de mico, porque governar
se tornou uma tarefa restrita a apaniguados e descendentes eleitorais. O
estímulo à improbidade pagou estradas vicinais que nunca existiram, sentenciou
o homem do campo a êxodos recorrentes, até que a fuga desatinada dos
trabalhadores fez do Maranhão o maior exportador de mão de obra escrava do
Brasil.
A
estimulada e também cinqüentenária apropriação de recursos públicos fez-se
chaga cultural na carne de um povo vencido pelo analfabetismo e os dividendos
dos mais paupérrimos municípios do Estado foram confiscados pela agiotagem, ao
explodir de uma devastadora bomba ideológica confeccionada com o urânio da
corrupção.
Sabe-se,
agora, que gravações da Polícia Federal confirmam o pagamento de vultosa
propina aos plutões de um governo encastelados nos palacetes da desonra. O que
o povo do Maranhão pagou em pobreza e futuro, em atraso e dignidade, por esse
cinqüentenário comportamento ilícito, é simplesmente incalculável. A sociedade
indefesa, castigada, e o scripit político foi o mesmo durante todo esse tempo.
É
esse o ultrapassar de todos os limites da decência pública, a desordem oficial,
a baderna democrática, a ilicitude administrativa paga com propinas à luz da
lua e à luz do sol.
Tal
regime político, entretanto, caiu, esboroou e, felizmente, uma das finalidades
do novo governo é demolir os palacetes da desonra, por fim à República das
Lagostas e devolver ao povo o Estado do Maranhão. Há uma gente lá fora
esperando por água potável, pela revitalização do Italuís incluso nessa
hemorragia de gorjetas astronômicas, por um mínimo de segurança e,
principalmente, de decência e competência governamental.
Enterrar
esse passado é a tarefa primeira dos homens probos, de todos aqueles que se
exauriram nesta luta, de toda a sociedade fatigada da gula financeira dos
governantes do Maranhão. Tomar as pás e picaretas às mãos e demolir os
palacetes da desonra é uma tarefa de todos os poderes e, particularmente, de
cada um de nós.

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