segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Aventura número mil

JM Cunha Santos

 




Gostosa como pão com café fresco

como vício permissivo, incontrolável

pendura em mim o corpo mais canibalesco

e mexe as ancas como cobra insaciável

 
De onde se move é quase um ser animalesco

que se agita até a nau do imponderável

e gruda em mim talvez buscando um parentesco

à luz da sede vil e do seu viço irrefreável

 
Propõe-me ao peito assombração, desritimia

descasca-se gentil ao sabor da imensidão

eu luto contra mim; paro a noite, entorto o dia

 
Respiro carne e movimento os seus desvãos

e, para espanto de um amor que eu nem sabia,

os seios pulam e o resto explode em minhas mãos

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