JM
Cunha Santos
Gostosa
como pão com café fresco
como
vício permissivo, incontrolável
pendura
em mim o corpo mais canibalesco
e
mexe as ancas como cobra insaciável
De
onde se move é quase um ser animalesco
que
se agita até a nau do imponderável
e
gruda em mim talvez buscando um parentesco
à
luz da sede vil e do seu viço irrefreável
Propõe-me
ao peito assombração, desritimia
descasca-se
gentil ao sabor da imensidão
eu
luto contra mim; paro a noite, entorto o dia
Respiro
carne e movimento os seus desvãos
e,
para espanto de um amor que eu nem sabia,
os
seios pulam e o resto explode em minhas mãos

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