Editorial
JP, 13 de janeiro de 2015
A
classe política deve atentar para o fato de que as unanimidades costumam se
esgotar por elas mesmas ou, como diria Millor Fernandes, “toda unanimidade é
burra”. Sente-se no grupo político que elegeu Flávio Dino e Edvaldo Holanda
Júnior um certo temor pela candidatura da deputada Eliziane Gama. Estrela
ascendente da política maranhense, deputada federal mais votada do Estado e que
se permitiu renunciar a uma candidatura ao governo do Estado, a deputada não
parece disposta a abandonar se projeto de governar São Luís.
Essa
possibilidade ecoa de forma estridente em diversos gabinetes dos paços
municipal e estadual, pois, sem sombras de dúvidas, ameaça a reeleição do
prefeito de São Luís. Eliziane, assim, passa a ser a vítima preferencial de
muitas críticas forjadas na mídia eletrônica controlada pelo atual governo.
Alguns chegam a tratá-la com desrespeito, inventando para a parlamentar
epítetos e codinomes desairosos. Desnecessário, porque a postulação é legítima
e a deputada faz parte do mesmo grupo político não merecendo as alcunhas dos
que disputam cargos no governo.
A
história política de Eliziane Gama é uma história de luta contra as
desigualdades sociais, contra o poder responsável pelo atraso de 50 anos do
Maranhão. Não adianta que queiram fantasiá-la de candidata de Sarney. Ela é a
candidata natural de seu partido e uma liderança inconteste em São Luís e em
todo o Estado. Ao invés de tratá-la como adversária, o grupo a que se uniu para
derrotar o candidato de Sarney deveria vê-la como mais uma opção para impor
nova derrota aos adversários do governo recém instalado no Maranhão.
Os
que acompanharam seus discursos, projetos, audiências públicas e as CPIs com
que enfrentou os poderosos sabem que ela é uma mulher à esquerda do mundo,
disposta a correr riscos em defesa da sociedade, dos mais humildes, dos sem
teto, dos sem terra, dos injustiçados e dos que não têm acesso à Justiça.
Em
recente entrevista ao Jornal Pequeno, Eliziane declarou sua certeza de que
Flávio Dino fará um grande governo e colocou o seu PPS como um partido no
governo, comprometido com as mudanças que os maranhenses esperam. Seu discurso,
portanto, não destoa em nada das esperanças hoje depositadas naqueles que
defenestraram o grupo Sarney do poder.
Eiziane
é, portanto, uma pessoa a ser seguida e respeitada, um animal político com
aspirações políticas e uma delas é governar São Luís. A briga do novo governo
deve ser pela redução das desigualdades sociais, pela garantia dos direitos
humanos, pela defesa das minorias. Daí que é preciso conter os arroubos dos
partidários, inclusive os infiltrados na mídia eletrônica, que passaram a
tratá-la como uma estranha no ninho do poder.
Até
prova em contrário, Eliziane Gama só representa perigo para os áulicos da
injustiça, os impiedosos e despreocupados com o futuro do povo de São Luís e do
povo do Maranhão.

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