sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Como é difícil ser eterno! Até quando serei eterno?

A matéria não se apaixona, portanto, o Espírito existe, agora como para sempre.

JM Cunha Santos


Enquanto leio A Gênese, de Alan Kardec, substituindo todos os instintos que me garantem a eternidade, vejo-me, pois, a transpor os umbrais do meu espírito, a alcançar civilizações superiores e inferiores e decreto: Não quero chegar burro no “céu”, para onde certamente vou não por virtudes, mas porque errei muito menos do que podia. Afinal, ainda sinto que esta é a minha última vida.
“Há muitas moradas na casa de meu Pai”, disse Jesus Cristo revelando a pluralidade dos mundos habitados e, por conseguinte, a pluralidade de existências em um homem só.
É o que basta para que eu comece a imaginar mundos distintos em que se prova cientifica e divinamente a existência de Deus e diz-me o Guru que a Terra é um planeta decadente em que os seres ainda se arrastam em sua superfície.
Enquanto espectro, transporto-me a civilizações decaídas onde as leis ensinam que todo crime é uma virtude humana. Essas civilizações reservam o Paraíso aos assassinos, ladrões, perversos, prostituídos, adúlteros, guerreiros, terroristas, torturadores e o Inferno aos que amam, praticam caridade, são fraternos, servos do bem, queridos, gentis e solidários a ponto de sentir a dor alheia.
Inopinadamente, Haroldo Dutra Dias grita em meus ouvidos: Todas as religiões da Terra são tribais, fazem parte de um sistema primitivo de crença em Deus! E me ensina que, ao contrário do que apregoam nos planetas que visito, “O Evangelho é o Código Moral da Galáxias”. Galáxias dentro de uma cosmogonia infinita, de um Universo incomensurável, habitadas até a bilhões de anos luz do planeta Terra.
Mas, ainda soberbo e diante daqueles seres retorcidos, julgo-me por instantes o único elemento responsável pela transformação da matéria, alçando a casca bruta que me cobre acima da alma. É só um instante. Logo concluo que matéria não se apaixona, portanto, o Espírito existe, agora como para sempre.
Só escapo à inspiração maldita desse Código dos Maus, quando uma multidão de Jesus Cristos me arranca ao sonambulismo dessa filosofia bestial que eleva os pravos e pune os justos nos territórios densos em que minha alma patina desesperada. “Como é difícil ser eterno! Até quando serei eterno”, grito enquanto uma agonia filosófica me toma daquelas civilizações e me devolve aos lençóis revolvidos da cama em que babo de esperança de encontrar com Deus e lhe contar tudo o que vi.

4 comentários:

  1. Parabéns Mestre Cunha... excelente reflexão. Paz e Alegria !!!

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  2. Um profundo desdobramento realizado por um espírito antigo, conhecedor de muito que agora começa a relembrar para seguir adiante. Paz e luz.

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    1. Pessoalmente,preciso de mais esclarecimentos sobre essas assertivas. Obrigado, grande espírito.

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