JM
Cunha Santos
Comeram
muito, comeram tanto que deu enjôo, tanto que não houve sobras para o povo
pedinte que implorava nas ruas. Comeram demais. E o que não conseguiram comer,
levaram para os cães em casa. Não foi o alimento da plebe trabalhadora, o
feijão com arroz, o peixe seco, a verdura estragada. Comeram do bom e do melhor
e, ao povo, o ruim e o pior, quando algum pior havia para comer.
Vinhos
da melhor safra, champagnes inalcançáveis na haute cuisine da pilantragem
pública, da esbórnia elitista e criminosa cuja origem nenhum sommelier foi
capaz de induzir. Comeram sem pagar. Aliás, foram pagos para comer, com os
tributos dos plebeus sem educação nem segurança, evidenciando a falência das
raças inferiores que serviam apenas para votar.
Filés
não licitados, vinhos superfaturados, lagostas fraudulentas e haja dores de
cabeças e cólicas intestinais nos fígados do Império.
Para
além dos muros dos palácios esqueceram a patuléia que, a votos, arrancou-lhes
dos salões nobres e lhes acenou com a masmorra. Hora de fugir, mas os estômagos
estão muito cheios, os tesouros são muito pesados, a guarda palaciana não mais
lhes obedece e já não são donos dos tribunais.
A
República das Lagostas chega ao fim laconicamente, deixando recados, cercada de
escribas insolentes, de tribunos ferinos, juízes implacáveis e promotores
imparciais. Porque comeram tanto, é o que agora se perguntam. Podiam ter comido
menos, saciado as fomes do povo. Não fizeram.
Essa
República empanzinada deixa atrás de si uma longeva história de transações
políticas inexplicáveis, a indignação popular diante de meio século de domínio
que em pouco ou quase nada serviu ao desenvolvimento do Estado. O governo se
despede assombrado por denúncias de envolvimento em esquemas de propinas,
incertezas quanto ao que possa ter acontecido com a prometida Refinaria Premium
e ameaçada a sua cúpula por processos judiciais e até prisões.
As
saudades do poder, é certo, serão menos suportáveis que as cobranças da
Justiça, a devassa nos escombros do regime que se abriu às falcatruas,
transformando o exercício da função pública em matéria de extorsão contra o
patrimônio da sociedade. Os herdeiros dessas práticas políticas estarão
solitários, visto que não mais haverá governantes a coonestar a desonestidade.
Os
propinodutos e bueiros onde se refestelaram tantos, às custas da miséria
alheia, estarão represados por uma nova ordem, esta que enfia na cadeia os
barões executivos de grandes empreiteiras e aguarda apenas a oportunidade de
punir os agentes públicos, inclusive os do Maranhão.
É
o que se espera. Que cada lagosta consumida nessa esbórnia com o dinheiro do
contribuinte engasgue de uma vez por todas qualquer tentativa de retornar a
esta República para a qual o povo maranhense, finalmente, dá adeus.

e agora qual será a repubica de que cunhão ? tu acha que vai mudar alguma coisa ?
ResponderExcluirCÚNHA SANTOS TÚ ACHA QUE VAI MUDAR ALGUMA COISA? PQ SABEMOS QUE O GORDÃO É CHEGADO A UM CHURRASCO.
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