quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Adeus à República das Lagostas

JM Cunha Santos


Comeram muito, comeram tanto que deu enjôo, tanto que não houve sobras para o povo pedinte que implorava nas ruas. Comeram demais. E o que não conseguiram comer, levaram para os cães em casa. Não foi o alimento da plebe trabalhadora, o feijão com arroz, o peixe seco, a verdura estragada. Comeram do bom e do melhor e, ao povo, o ruim e o pior, quando algum pior havia para comer.

Vinhos da melhor safra, champagnes inalcançáveis na haute cuisine da pilantragem pública, da esbórnia elitista e criminosa cuja origem nenhum sommelier foi capaz de induzir. Comeram sem pagar. Aliás, foram pagos para comer, com os tributos dos plebeus sem educação nem segurança, evidenciando a falência das raças inferiores que serviam apenas para votar.

Filés não licitados, vinhos superfaturados, lagostas fraudulentas e haja dores de cabeças e cólicas intestinais nos fígados do Império.

Para além dos muros dos palácios esqueceram a patuléia que, a votos, arrancou-lhes dos salões nobres e lhes acenou com a masmorra. Hora de fugir, mas os estômagos estão muito cheios, os tesouros são muito pesados, a guarda palaciana não mais lhes obedece e já não são donos dos tribunais.

A República das Lagostas chega ao fim laconicamente, deixando recados, cercada de escribas insolentes, de tribunos ferinos, juízes implacáveis e promotores imparciais. Porque comeram tanto, é o que agora se perguntam. Podiam ter comido menos, saciado as fomes do povo. Não fizeram.

Essa República empanzinada deixa atrás de si uma longeva história de transações políticas inexplicáveis, a indignação popular diante de meio século de domínio que em pouco ou quase nada serviu ao desenvolvimento do Estado. O governo se despede assombrado por denúncias de envolvimento em esquemas de propinas, incertezas quanto ao que possa ter acontecido com a prometida Refinaria Premium e ameaçada a sua cúpula por processos judiciais e até prisões.

As saudades do poder, é certo, serão menos suportáveis que as cobranças da Justiça, a devassa nos escombros do regime que se abriu às falcatruas, transformando o exercício da função pública em matéria de extorsão contra o patrimônio da sociedade. Os herdeiros dessas práticas políticas estarão solitários, visto que não mais haverá governantes a coonestar a desonestidade.

Os propinodutos e bueiros onde se refestelaram tantos, às custas da miséria alheia, estarão represados por uma nova ordem, esta que enfia na cadeia os barões executivos de grandes empreiteiras e aguarda apenas a oportunidade de punir os agentes públicos, inclusive os do Maranhão.

É o que se espera. Que cada lagosta consumida nessa esbórnia com o dinheiro do contribuinte engasgue de uma vez por todas qualquer tentativa de retornar a esta República para a qual o povo maranhense, finalmente, dá adeus.

2 comentários:

  1. e agora qual será a repubica de que cunhão ? tu acha que vai mudar alguma coisa ?

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  2. CÚNHA SANTOS TÚ ACHA QUE VAI MUDAR ALGUMA COISA? PQ SABEMOS QUE O GORDÃO É CHEGADO A UM CHURRASCO.

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